Setor de transporte de pacientes volta a ser alvo de denúncias

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Penha Elisabete Ferreira, que faz tratamento contra o câncer, reclama da forma que alguns funcionários tratam a população

Não é de hoje que o jornal O DEBATE acompanha o drama da paciente oncológica Penha Elisabete Ferreira que, assim como muitos, luta para ter um tratamento digno pela rede pública de saúde. Essa semana, ela procurou a nossa equipe de reportagem para denunciar, mais uma vez, o setor de transporte da prefeitura. Segundo ela, todo transtorno começou no último dia 18, quando o seu marido, Alexandre, foi até o setor para um agendamento de urgência.

“Minha médica ligou e pediu que eu comparecesse no dia 21 em Campos, onde faço o meu tratamento, para ser atendida e pegar alguns exames, além de uma receita que teria que ser retirada lá naquele dia. Se eu não fosse, só conseguiria reagendar isso no outro mês. Quem tem câncer não pode esperar. O setor de transporte pede para agendar com, pelo menos, 48 horas. Meu esposo foi no início da tarde de sexta-feira. Chegando lá, o rapaz estava almoçando e ele foi logo na Oncologia, porque você precisa pegar um papel lá antes para poder viajar”, relata.

Penha diz que o marido foi informado que corria o risco de não ter carro por conta da demanda. “Ele questionou, pois estava pedindo 48 horas antes. Vendo que o rapaz não iria ajudá-lo, resolveu esperar um funcionário que ele conhece, o Sr. Cláudio. Um senhor que trabalha lá, e não tinha nada a ver com a história, veio com grosseria e disse: ‘Você acha que sua melhor é melhor que as outras? A prefeitura vai ter que comprar um carro só para ela’. Meu marido disse que não achava que ninguém ali era melhor, mas que iria esperar o funcionário que conhece para conversar com ele. Esse senhor começou de deboche. Toda vez que meu marido vai lá esse homem cria problema com ele, até tentou agredi-lo uma vez”, conta.

A paciente ressalta que o esposo está se recuperando de um problema de saúde. “Ele sofreu um infarto no mês passado, ficou no CTI e eles ficaram sabendo pois eu tive que ir lá e a menina perguntou se ele estava melhor. Esse senhor estava lá no dia. Tanto que dessa vez ele ficou provocando falando: ‘cuidado com o seu coração’. Meu marido disse que ficou muito nervoso”, diz.

Ela ressalta que nesse tempo o funcionário que o marido aguardava chegou e eles foram conversar. “Ele não prometeu, mas disse que faria o possível para arrumar o carro para mim. Ele explicou que só teria uma vaga e não duas. Meu esposo disse que não teria problema, porque eu precisava ir de qualquer jeito, mesmo que fosse sozinha. Umas horas depois ele ligou e disse que tinha agendado o meu carro para segunda-feira (21), às 6h. Levantei 4h e me arrumei. Quando foi 5h20 estava na rua aguardando. Deu 6h, 6h30, nada. Quando deu 7h tive que dar o meu jeito porque eles não tinham ligado, não apareceu o carro para me buscar”, relembra ela.

Penha conta que essa não é a primeira vez que passa por algum problema. “A falta de respeito é muito grande comigo e com o meu marido. Acho que é meu dever reclamar, principalmente da maneira que esse senhor nos tratou. Já pensei largar de mão, mas não vou. Quem está sofrendo aqui sou eu. A dor não vai passar para ninguém. Eu quero meus direitos, garantido por lei”, completou.

A nossa equipe de reportagem entrou em contato com a prefeitura três vezes essa semana, no entanto, até o encerramento dessa edição ela ainda não havia se pronunciado sobre o caso.

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