População macaense já diz sentir medo similar ao que domina a capital. Fogos de artifícios e muros pichados são sinônimos de domínio ao território - Reprodução/ TV Record

Traficantes rivais têm a missão de atacar e matar integrantes de outras facções. A cada novo território conquistado, muros são pichados com a sigla da facção

“Você acha que vai sofrer um assalto a qualquer momento. Se for ao ponto de ônibus, o caminho até lá é uma tortura. Olha para todos os lados com medo. A sensação é que a morte vai chegar a qualquer momento por conta do perigo”. A fala é de uma moradora do bairro Lagomar que reside no local há 15 anos, mas descreve muito bem a aflição que tem tomado moradores de Macaé. A cidade é atual palco da guerra entre as facções, que desde o início do mês, comunidades e bairros têm sido alvo por invasão de traficantes do Amigos Dos Amigos (A.D.A.), que tomaram posse de alguns pontos de venda de drogas no bairro Lagomar.

A ação criminosa resultou em intenso tiroteio, pessoas baleadas e confronto em bairros adjacentes, como Parque Aeroporto e Fronteira, onde duas pessoas ficaram feridas e um homem morreu.

Após a invasão na Rua W 30, registrada no último dia 7, a Polícia Militar reforçou o policiamento no bairro e efetuou algumas prisões.

Na última quarta-feira (9), alguns pontos de tráfico de drogas que pertenciam a facção Comando Vermelho (C.V), no Lagomar, foram dominados pela facção A.D.A. e um muro amanheceu pichado com a seguinte mensagem: ”Moradores do LGM (Lagomar) agora é o A.D.A. que domina o tráfico de drogas, aqui acabou o esculacho com o morador”.

Segundo moradores, após a invasão criminosos soltaram fogos de artifícios que chegaram a amedrontar algumas pessoas. O objetivo é claro: causar pânico e mostrar o poder da organização originária nas comunidades e bairros da cidade.

Foi o início da tomada do poder do A.D.A., comemoração que pode ser a anunciação de mais uns meses sangrentos, que poderá superar o índice de crimes até o fim deste ano.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a maioria das mortes registradas de janeiro a julho deste ano (um total de 66 homicídios) são de traficantes, contra 42 crimes registrados no mesmo período do ano passado.

Enquanto integrantes do A.D.A. planejam tomar outras partes da ‘boca de fumo’, a estratégia é ocupar o bairro Parque Aeroporto, que já vem resultando confrontos diários. Um morador que prefere não ser identificado com medo de represália, contou parte dos planos dos membros dos traficantes. A princípio, o objetivo é tomar todos os territórios que estavam sob o poderio do C.V. Entre os locais mais cobiçados pela facção está o Parque Aeroporto, Cehab e Cajueiros e Favela da Linha.

O índice de crime acende um alerta sobre os próximos dias/meses. Os criminosos prometem rastros de sangue e as autoridades de segurança pública estão atentos. A cada novo território conquistado, muros estão sendo pichados com a sigla do A.D.A.

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