A Casa da Criança e do Adolescente fica na Rua Dr. Télio Barreto, 316, Centro. Telefone: (22) 2757-3363. - Foto Divulgação/ Bruno Campos

Helena Monteiro Vasconcelos Diniz tem apenas 17 dias. Já Elisa Leite Viana, dois meses. As duas são primogênitas em suas famílias e têm mais uma coisa em comum: seus pais de primeira viagem estão cheios de dúvidas, principalmente na questão da amamentação. Entretanto, boa parte desses questionamentos já foram respondidos, no Ambulatório de Amamentação, que funciona todas as quartas-feiras, a partir das 13h30, na Casa da Criança e do Adolescente.

Qualquer pessoa pode participar do ambulatório, sem necessidade de encaminhamentos ou agendamentos. Basta comparecer ao local. O serviço da prefeitura existe desde 2017 e é realizado por uma equipe multidisciplinar formada por pediatra, nutricionista, assistente social, fonoaudióloga, psicóloga e odontopediatra. Toda semana, o grupo recebe mães e familiares e passa orientações, desvenda mitos e esclarece dúvidas.

Pais de Helena, Marcelly Alves Monteiro Vasconcelos Diniz e Yan do Couto Maurício Diniz, aprovaram o atendimento no grupo.

“Eu tive muitas feridas ao amamentar, já que descobrimos, ainda no hospital, que ela não usava a língua para a sucção e, sim, a gengiva. Fiz o procedimento no frênulo lingual da minha filha e, mesmo assim, ainda tive dificuldade na amamentação. Aqui, eu pude tirar muitas dúvidas quanto ao tempo e quantidade de fórmula que vou dar a ela e a insistência com a pega correta para a amamentação. Se eu conhecesse esse serviço antes teria vindo assim que saí do hospital quando tive a neném”, explica Marcelly.

Os pais de Elisa – que fez o teste da linguinha no próprio grupo – Letícia Moraes da Costa Leite Viana, 22 anos, e Victor Hugo Gomes Viana, 27 anos, também aprovaram o serviço. “Muitas dúvidas, nós tiramos com a pediatra mesmo, lemos sobre o assunto, mas foi muito boa a orientação que recebemos aqui. A Elisa não tinha feito o teste ainda e pudemos comprovar, aqui, que ela não tem a língua presa. Tive um pouco de ferida da mama, mas já passou essa fase”, acrescentou Letícia.

Grupo de Amamentação – Foto Divulgação/ Bruno Campos

Um dos objetivos do grupo é desmistificar crenças como o da amamentação de 3 em 3 horas. Segundo orienta a fonoaudióloga Danielle Cardoso, sugar é uma necessidade física natural dos bebês e a sucção não nutritiva (a popular chupetação no peito) é importante para a criança. “Quanto mais sugar, mais leite se produzirá. E a chupeta tira esse estímulo aos poucos. O ideal é tirar a chupeta até 1 ano de idade e usar somente em último caso. Outra coisa importante na amamentação é manter uma posição segura para que o bebê não engasgue, o deixando sempre com a cabeça de frente para a mama e na posição barriga com barriga”, explicou.

Grupo de Amamentação – Foto Divulgação/ Bruno Campos

A nutricionista Priscilla Ramos também deu algumas dicas aos pais que participaram do grupo. Segundo ela, não existe regra de quais alimentos a mãe deve evitar para não dar cólica no filho. “Pode comer frutas cítricas, suco, pois são ricos em vitamina C. Há casos específicos de alergia ao leite, por exemplo. Se a criança for alérgica, isso vai aparecer. O que deve ser evitada é a cafeína (presente no café, chá mate) e alimentos mais gordurosos, muito temperados e condimentados. É bom buscar sempre alimentos mais saudáveis. O feijão, o repolho, a batata doce e outros alimentos que dão mais gases devem ficar de molho de um dia para o outro, antes do cozimento. E nada de cerveja preta, como orientam alguns, para dar mais leite: álcool não pode fazer parte da dieta de quem amamenta”, orientou.

Todas as especialistas participam das orientações. A psicóloga Roberta Batista explica que é possível identificar quando o choro do bebê é pela cólica. “Geralmente ela vem no fim de tarde e o neném fica se contorcendo. Os pais podem dobrar as perninhas dele, fazendo movimentos de bicicleta. Isso ajuda a eliminar os gases. Caso o bebê continue com o choro, um banho morno pode ajudar, assim como massagens em movimentos circulares na barriga”, informou.

A assistente social Vanessa Rodrigues, que costuma orientar sobre questões de direitos trabalhistas das mães, também auxilia tirando outras dúvidas. “O banho do bebê, por exemplo, não precisa ser apenas um por dia. Pode-se dar um banho completo com o sabonete e outro só com a água. Até mesmo no chuveiro, pois é importante ter esse contato pele a pele com a mãe ou o pai. A ideia é que essas mães venham e multipliquem essas orientações para outras pessoas”, comentou.

O serviço – O trabalho surgiu da necessidade de orientar e acompanhar as puérperas, visando ao aleitamento materno exclusivo. O atendimento se inicia em grupo, com orientações gerais sobre amamentação. Logo após, o atendimento torna-se individual, atendendo às demandas específicas de cada família.

As principais queixas recebidas são a correção da pega da mama, confusão de bicos (especialmente pelo uso de chupetas), orientação referente à livre demanda, engasgos, mitos e verdades sobre a amamentação e aleitamento materno exclusivo. São atendidos, ainda, bebês que tiveram alteração no teste da linguinha, que são avaliados pelo odontopediatra. A equipe também realiza atendimento para orientação de ordenha de leite para retorno ao trabalho e escola.

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