A pesquisadora Raquel de Souza Gestinari que esclarece pontos importantes do estudo da nova variante - Divulgação

A variante “P1” da Covid-19 identificada em Macaé deixa em alerta pesquisadores do Nupem

Neste contexto já tão alarmante de pandemia por coronavírus, uma nova questão aumenta a preocupação das autoridades. O Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade – NUPEM (UFRJ) acompanhou o estudo feito pelo laboratório do governo do Estado em parceria com a Fiocruz, que identificou a transmissão da variante “P1” em pacientes infectados pela Covid-19 em Macaé.

A pesquisadora Raquel de Souza Gestinari que esclarece pontos importantes do estudo da nova variante

A professora e pesquisadora do Nupem, Raquel de Souza Gestinari, que atua principalmente na área de Genética Molecular Humana, informa que a variante P1 (501Y.V3) identificada no município é a mesma detectada em amostras de genomas virais circulantes entre os meses de novembro de 2020 e janeiro de 2021 em Manaus (AM), quando foi observado um aumento importante do número de casos de COVID-19 no Norte do país.
“Estas alterações apresentam um potencial biológico significativo e estão associadas a um aumento na ligação entre o vírus e o seu receptor (ACE2) presente nas células humanas bem como a um maior risco de transmissão viral. Preocupa, ainda, o fato de que a variante P1 possa também estar relacionada ao escape do sistema imunológico, uma vez que foi observado em estudos recentes que, em comparação com outras variantes, a P1 pode escapar aos anticorpos neutralizantes produzidos naturalmente ou em resposta a vacinas”, explica a pesquisadora Raquel.
Posteriormente, a mesma também foi identificada em pacientes japoneses que haviam recentemente regressado do Brasil. Conforme mencionado, as mutações acumuladas por esta linhagem incluem ainda três alterações idênticas de aminoácidos no domínio de ligação ao receptor da proteína S, que também são relatadas em variantes anteriormente detectadas no Reino Unido (B.1.1.7) e na África do Sul (B.1.351).

“Neste sentido, reforça-se a importância da vigilância genômica e do monitoramento da circulação de novas linhagens do SARS-CoV2 como medida estratégica para acelerar a capacidade de resposta à pandemia da COVID-19, especialmente no que se refere ao direcionamento para o desenvolvimento de novas vacinas ou à necessidade de ajustes nas estratégias vacinais futuras como também ao acompanhamento da eficácia das vacinas já utilizadas nos programas de imunização”, frisou Raquel.
Para a pesquisadora, neste momento é importante enfatizar a importância da vacinação em massa bem como também de que todos continuemos seguindo as medidas preventivas relacionadas à COVID-19, como o uso de máscaras, a manutenção dos ambientes bem ventilados, a adequada higienização das mãos e o isolamento social. “E para que a redução da circulação do vírus ocorra efetivamente é necessário que as pessoas continuem seguindo estas medidas mesmo depois de serem vacinadas. Somente assim, conseguiremos diminuir a transmissão do vírus e consequentemente do surgimento de novas e preocupantes variantes em nossa população”, disse.
No último ano, por meio do desenvolvimento de uma tecnologia de sequenciamento de genomas utilizando nanoporos (Oxford Nanopore), o estudo conduzido pelo NUPEM/UFRJ realizou a análise de sequências genômicas de 96 amostras de SARS-CoV-2 circulantes em Macaé. Os resultados obtidos forneceram informações de grande relevância e permitiram identificar quatro diferentes linhagens virais circulantes, entre os meses de abril e agosto de 2020, no município. Desde então, as tecnologias de sequenciamento e de detecção das variantes virais foram aprimoradas em nosso laboratório, o que permitirá a realização de novos estudos desta natureza neste momento em que a pandemia avança no país.

 

A pesquisadora Raquel de Souza Gestinari é docente/pesquisadora do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade – NUPEM (UFRJ), onde desenvolve no NUPEM suas atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária atuando principalmente na área de Genética Molecular Humana. Ao longo do ano de 2020 também participou como voluntária do projeto “Apoio ao NUPEM UFRJ-Macaé para implementação de um Laboratório de Campanha para Testagem e Pesquisa do COVID-19 (LCC-UFRJ-Macaé)”. Atualmente participa dos estudos relacionados ao monitoramento da eficácia vacinal por meio de testes sorológicos e também vinculados à vigilância genômica através do sequenciamento dos genomas virais de SARS-CoV2 circulantes em municípios da região norte-fluminense (Campos dos Goytacazes e Macaé).

 

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