Desde o mês de junho de 2013, quando foi desencadeada Brasil afora uma manifestação espontânea sem identificação de bandeiras ou facção, contra o aumento da tarifa de transporte público que depois ampliou para o combate a corrupção e outras ações nefastas nos governos e nos poderes federal, estadual e municipal, imaginava-se que o Brasil teria novos rumos, não fosse a intromissão nas manifestações, dos grupos de black block, causando badernas e prejuízos incontáveis, fazendo com que os manifestantes espontâneos se retirassem de cena, sem porém, deixar marcados o que pretendiam.

O tempo passou, foi aprovada a Lei da Ficha Limpa, também uma legislação mais rigorosa contra a corrupção, e havia chegado ao fim o julgamento da Ação Penal 470, mais conhecida no mundo do Supremo Tribunal Federal, de mensalão, por causa da denúncia havida em 2005, de que o presidente Lula pagava propina a parlamentares diversos para aprovar os projetos de interesse do governo. Mesmo assim, ele acabou reeleito e elegeu o poste, Dilma Rousseff que também se reelegeu em 2014, porém, desta vez com grandes dificuldades de ação, ante as inúmeras denúncias de corrupção.

Iniciada a nova gestão, até que ela fosse apeada do poder por um impeachment costurado pelo vice-presidente Michel Temer e o então deputado e presidente José Carlos Cunha, acabou salva do gongo quando no julgamento, ao lado do presidente do Senado Renan Calheiros, o ministro Ricardo Lewandoski, então presidente do STF, “esqueceu” o termo exato e, por uma virgula, separou um julgamento do outro e livrou Dilma Rousseff de ter os direitos políticos cassados, ou seja, a Constituição fora ignorada nos seus termos exatos, por um membro do qual deveria fazer valer a letra da lei.

No mesmo período, iniciada em Brasília, num posto de gasolina, a Operação Lava Jato, levando o doleiro Albert Yousseff para trás das grades, a sua delação premiada acabou arrastando diretores da Petrobras, empresários de bem com o governo e bem sucedidos, e muitos políticos que se aproveitaram da ocasião para “meter a mão nos cofres da viúva”, foi desencadeada uma nova fase com o apoio da sociedade. A cada manhã, a cada semana, a cada mês, ou até a cada instante, a Operação Lava Jato ampliava sua ação puxando a linha do novelo que teve como principal homem da lei o então juiz Sérgio Moro. De Curitiba para outros estados, a operação se ampliava e as cenas de figuras importantes do mundo político e empresarial viraram coisa comum no noticiário.

Com a crise enfrentada após assumir o governo, o então vice que se tornara presidente, Michel Temer, enfrentou todas as dificuldades e, na prática, “vendeu” o governo ao parlamento para se ver livre de denúncias da JBS, e conseguiu manter-se no cargo até o final do mandato. Já neste período, a Lei da Ficha Limpa, o combate à corrupção e outras ações eram direcionadas aos acusados de pertencerem a uma enorme quadrilha que assaltava os cofres públicos, levando a ser comparada ao que aconteceu na Itália com a Operação Mãos Limpas, depois, nocauteada pela classe política.

Foram muitas as prisões, foi gigantesca a descoberta e devolução do dinheiro roubado, mesmo em paraísos fiscais, imaginando-se que o Brasil vivia uma nova fase, quando até o ex-presidente Lula, considerado O Chefe (este livro de 457 páginas está disponível na internet e detalha os mínimos detalhes do alto grau de corrupção no seu período), permanecendo preso por 500 dias quando o STF, vergonhosamente, decidiu revisar a prisão em segunda instância para livrá-lo das grades. A sociedade não gostou, e os políticos recém eleitos com o clã Bolsonaro, prometia a mudança para torná-la definitivamente válida, porém, até hoje a promessa dos políticos de nada valeram.

Bolsonaro eleito, houve crises por todos os lados e era natural também a mudança de rumo para “manter a governabilidade”, entrando em cena os políticos do chamado Centrão, que sempre deram as cartas. Ávidos por cargos, começaram a mudar o governo Bolsonaro que aderiu ao toma lá dá cá e agora não se pensa mais em outra coisa senão mudar os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, e também na reeleição em 2022. Como as regras vão mudando na medida em que são exigidas novas ações que possam beneficiar governo e oposição, nem a pandemia do Covid-19 foi capaz de sensibilizar as autoridades para um novo tempo.

Agora, após o STF decidir que não pode haver reeleição dos presidentes no Congresso, grupos políticos já se articulam para ter o domínio do Poder Legislativo e para isso valem até a promessa de acabar com a Lei da Ficha Limpa, e outras regras duras contra a corrupção, que continua grassando em todos os níveis, como vem mostrando o noticiário, apontando descobertas de muito dinheiro desviado.

Ou seja, parece que teremos um ano novo, mas, com tudo velho.

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