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Melhorias no Jardim Franco ficam apenas na promessa

Cobranças que vêm sendo feitas desde 2012 seguem na lista de reclamações de quem vive no loteamento

Em 19/03/2018 às 12h32


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Loteamento é mais uma das áreas que crescem sem investimentos em infraestrutura Loteamento é mais uma das áreas que crescem sem investimentos em infraestrutura
O Bairros em Debate tem como objetivo mostrar toda semana a situação de um determinado lugar na cidade, levantando os problemas de infraestrutura e também apontando as melhorias que vêm sendo feitas. 

Desde 2012, o jornal vem acompanhando a expansão do Jardim Franco Plaza e Garden, mas, devido a situação crítica, os moradores pediram para que a equipe de reportagem retornasse essa semana ao local. 

Esse bairro fica situado às margens da Avenida Industrial e do Canal Macaé-Campos. Na última visita, há mais de um ano, a população pedia que o poder público desse uma atenção maior, inclusive para solucionar de imediato problemas simples, como a limpeza das ruas e terrenos.

Mas, ao que tudo indica, apesar de promessas, a situação continua a mesma encontrada pela equipe do jornal no ano passado. Tal situação tem deixado a população insatisfeita. 

O loteamento, que tem um pouco mais de 10 anos de existência, é atualmente lar para cerca de 2.200 pessoas, que cobram das autoridades melhorias.

Apesar do valor pago em impostos todos os anos, os moradores dizem se sentir abandonados quando se trata de investimentos no bairro. O Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana, mais conhecido como IPTU, tem como objetivo gerar uma arrecadação de verbas para o município, sendo revertido em melhorias no local, mas aqui esse retorno parece não existir.


Esgoto a céu aberto ainda é realidade

Apesar de o saneamento básico ser uma das maiores obras do governo atual, o problema de esgoto a céu aberto é algo que ocorre em toda a cidade, principalmente nas áreas periféricas e carentes de infraestrutura. 

Esgoto continua correndo a céu aberto na rua e retornando para dentro das residências


Sem receber manutenção na rede há um bom tempo, o resultado não poderia ser outro a não ser um grande vazamento de esgoto. Isso tem ocorrido na região do Jardim Franco Plaza e Garden, na área norte da cidade. 

Preocupados com os problemas que isso pode acarretar, moradores voltaram a denunciar essa semana que alguns vazamentos, que foram pauta de uma reportagem recentemente, continuam ocorrendo há um bom tempo em vários pontos do bairro. 

Um deles fica em frente a ESF Barreto, situada na área sem infraestrutura. Quem chega até a unidade já vê o problema logo de cara. Isso porque os dejetos estão acumulados bem em frente a entrada dela. Segundo o presidente da Associação de Moradores, Dilson Jordão, isso ocorre por falta de manutenção.

"Já denunciamos e nada. O mau cheiro está insuportável. A BRK Ambiental vem aqui apenas para informar que não podem prestar o serviço por conta das tampas das caixas serem pesadas. Quem mandou assinar contrato com a prefeitura se não dá conta do trabalho que é de sua responsabilidade? Já vieram aqui umas quatro vezes e nada de resolver o problema. Dentro do posto está um cheiro que os pacientes e funcionários não aguentam. É um estado de insalubridade", reclama. 


Dilson relata que o esgoto também vaza em alguns terrenos particulares. "Os moradores estão reclamando demais. É um mau cheiro que ninguém aguenta. Os dejetos estão retornando para as residências das pessoas. Se abrir as fossas, elas estão lotadas, já que a manutenção não é feita", conta. 
Não bastasse o mau cheiro, a exposição dos dejetos compromete a saúde das pessoas, podendo vir a causar problemas sérios. 

De acordo com a Lei Complementar do município nº 076/2006, o "saneamento básico é o conjunto de serviços que compreende o abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e a drenagem das águas pluviais, de infraestruturas e instalações operacionais que visam melhorar a vida da comunidade". 

A legislação informa que, para reduzir a poluição nos corpos hídricos pela eliminação dos lançamentos irregulares, enquanto não houver abastecimento do sistema de esgotamento sanitário, caberá ao poder público disponibilizar veículos tipo limpa-fossa. 

A BRK Ambiental informou há algumas semanas que realiza periodicamente os serviços de limpeza das redes de esgoto do bairro Jardim Franco para permitir o melhor escoamento dos efluentes e minimizar os impactos à população. Entretanto, a concessionária esclareceu, na época, que realizou uma vistoria técnica em 2016 e constatou deficiências na infraestrutura do sistema de esgoto executadas pela incorporadora, como ausência de estações elevatórias (centrais de bombeamento de esgoto), ausência de caixa de inspeção (CI) instalada na calçada dos moradores e as tampas dos poços de visitas  (PV) encontram-se fora do padrão, sendo necessário sempre o apoio de máquinas para realizações de desobstrução de rede. Tais problemas dificultam o processo de manutenção das redes de esgoto. No que tange a limpeza da fossa séptica, a BRK Ambiental esclarece que não é responsável pelo serviço de desentupimento de ramais internos e de fossas em propriedades particulares.


Serviço de limpeza é alvo de reclamações
Um dos problemas que vem sendo relatado em vários bairros da cidade, seja de classe média ou comunidades, a falta de limpeza pública é uma das maiores reclamações. A região é repleta de terrenos baldios e o mato cresce rapidamente. 
Em alguns, o mato toma conta dos terrenos e do meio-fio. Mas não é só capina que o bairro precisa. O descarte irregular também agrava ainda mais a situação. 

Presidente do bairro, Dilson, relata que capina não é feita desde o ano passado


A falta de limpeza é um problema que vem sendo relatado há, pelo menos, quatro anos pelo jornal O DEBATE. Apesar de diversas promessas terem sido feitas nesse período, até hoje os moradores aguardam a execução do serviço. 
"A prefeitura não realiza o serviço de capina na parte interna do bairro há, pelo menos, uns oito meses", relata Dilson. 

Como consequência desses fatores, o problema da proliferação de mosquitos voltou a ser motivo de reclamação no bairro. Com isso, a população continua pedindo maior atuação do poder público no combate ao inseto. "Está insuportável. Não tem inseticida, repelente que dê jeito. Tem que trancar a casa toda no final do dia senão os mosquitos te carregam", conta uma moradora, que pede sigilo do nome.


Local não tem áreas de lazer

As praças são geralmente um ponto de encontro de moradores do bairro, sendo a principal opção de lazer para crianças e jovens. Mas quando se trata do Jardim Franco, isso ainda está longe de se tornar uma realidade. O bairro não possui nenhuma área de lazer, sendo a mais próxima em bairros como o Parque Aeroporto. 

Sem opção de lazer, crianças e adolescentes são obrigados a brincar no meio da rua, sem nenhum tipo de segurança. Nas ruas as opções de brincadeiras acabam se tornando perigosas e põem em risco a vida das pessoas e das próprias crianças. 
Mas não é só de lazer que a população carece. O bairro não conta com escolas ou creches. Para ter acesso a esses tipos de serviços, é preciso ir a bairros vizinhos. 

Área que seria destinada ao lazer, onde já ocorreram homicídios, segue abandonada 



De acordo com Dilson, existe uma grande área da prefeitura que seria destinada para o lazer e a educação. Apesar de existir o projeto, até hoje nada saiu do papel. Onde a população deveria aproveitar os momentos livres, serve hoje só para acumular lixo e mato. 

"O local onde deveria ser nossa área de lazer se tornou um espaço para assaltos. Há alguns anos houve aquela tragédia com as adolescentes estupradas e mortas ali. Desde então, nada mudou. Nem mesmo a limpeza a prefeitura tem feito. O matagal tomou conta, gerando aquela sensação de insegurança, principalmente para quem mora nas proximidades", alerta o presidente. 

O que diz a prefeitura

Em relação ao esgoto, a prefeitura alegou que a concessionária responsável pelo esgotamento sanitário na cidade realiza periodicamente os serviços de limpeza das redes do bairro Jardim Franco para permitir o melhor escoamento dos efluentes e minimizar os impactos à população. Entretanto, a BRK Ambiental esclarece que todo o efluente gerado no local é direcionado para a rede de drenagem pluvial e que, além de receber contribuições de esgoto e água de chuva em uma única galeria, sofre com a influência do volume de águas do Canal Macaé-Campos, que aumentaram devido às chuvas do últimos dias. 

A prefeitura informou também que imóveis cujos projetos são aprovados na prefeitura é exigida a instalação de sistema caixa de gordura, fossa e filtro, que são posteriormente vistoriados pelos órgãos competentes. Ela realiza manutenções preventivas como desobstruções, rebaixamento de rede e limpeza de fossas dos imóveis que solicitam os serviços.

E ressaltou que o sistema caixa de gordura, fossa e filtro são sistemas individuais de tratamento de esgoto de origem sanitária, conforme preconiza a legislação.

Quanto a limpeza, a solicitação foi encaminhada para a secretaria de Infraestrutura.

Já o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) disse que, essa semana, vai até a região para realizar as ações necessárias para o controle do mosquito Aedes aegypti e roedores. Caso haja chuvas fortes, o cronograma pode ser alterado. Para solicitações de visitas ou dúvidas, o cidadão pode entrar em contato pelo telefone: 0800-0226461 ou por email: cczmacae@yahoo.com.br.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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