Cadastre-se e receba nossas novidades:

Notícias

Problemas antigos continuam sem solução na Praia Campista

Essa semana moradores voltaram a apontar promessas feitas pelo poder público que não foram cumpridas

Em 05/03/2018 às 16h04


Versão para impressão
Enviar por e-mail
RSS
Diminui o tamanho da fonte Aumenta o tamanho da fonte

Cansados de esperar pelo poder público, população tem atuado para amenizar problemas Cansados de esperar pelo poder público, população tem atuado para amenizar problemas
Ano Novo e problemas antigos. Assim tem sido a realidade de quem vive na parte baixa da Praia Campista. Passa o tempo e problemas antigos continuam fazendo parte do cotidiano de quem vive ali. 

Um bairro e duas realidades divididas por dois motivos: a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) e a falta de vontade do poder público. Enquanto na orla os serviços funcionam, do outro lado o poder público parece fazer vista grossa para os problemas.
Ao longo dos últimos quatro anos, o jornal vem retratando os problemas enfrentados por aqueles que vivem na parte "menos valorizada". Passa o tempo, o poder público faz inúmeras promessas, no entanto, as reivindicações permanecem as mesmas.  

"O nosso bairro está completamente abandonado pelo poder público. Nem mesmo o básico vem sendo feito. Pagamos impostos caríssimos e as melhorias não chegam", lamenta a moradora Maria Elsa Gomes.


Quadra abandonada 

Além do Parque da Cidade, o bairro conta com duas áreas de lazer. Uma delas é o campinho de terra situado na Rua José Ciríaco Júnior.

Quadra apresenta problemas na estrutura e falta de limpeza


"Esse espaço está abandonado. Nem mesmo a capina tem sido feita. Acaba que fica inutilizado", diz Maria Elsa. 
Além do mato, que toma conta do campinho, os alambrados ameaçam cair. "Se não fizerem nada isso vai cair a qualquer momento, podendo causar uma tragédia", diz um outro morador, que não quis se identificar. 


Parque da Cidade aguarda revitalização

Em todas as visitas feitas à Praia Campista nos últimos anos, não houve nenhum momento em que algum morador não tenha abordado nossa equipe para relatar a situação do Parque da Cidade, principal opção de lazer de quem vive ali e no entorno. 
A questão de segurança no Parque da Cidade é alvo frequente de diversas reclamações da população. O lugar é rodeado por duas comunidades que vivem se confrontando: Morobá e Favela da Linha. 

Lazer ainda é um dos pontos precários no bairro 


Nos últimos meses, a situação passou a melhorar, mesmo que de forma inexpressiva, graças aos próprios moradores e frequentadores, que se uniram para fazer os serviços que deveriam ser executados pela prefeitura.
Entre as ações estão a revitalização dos quiosques, pintura do parquinho e até mesmo a limpeza. No entanto, apesar da boa vontade, ainda falta muito para que o espaço ofereça as condições dignas para que a população possa voltar a frequentar o Parque da Cidade.

Inaugurado em 2005, o Parque da Cidade tinha tudo para ser uma ótima opção de lazer para os moradores da Praia Campista e região do entorno. Ao todo, são 75 mil metros quadrados adquiridos pela administração municipal que, na ocasião, foi restruturado para receber a população macaense em busca de diversão e da prática de esportes.


Obras de escola seguem abandonadas

Ao que tudo indica, as obras da escola municipal que começou a ser construída no Parque da Cidade não serão concluídas tão cedo. Em setembro de 2015, a previsão era de que a conclusão seria no final de 2015. Na época, a prefeitura informou também que os serviços estavam sendo executados normalmente, de acordo com o cronograma. 

Escola segue sem previsão de quando as obras serão retomadas


Hoje, quase três anos depois, o cenário encontrado é de total abandono e descaso. 
Orçada em R$ 8.209.535,32, segundo a placa informativa, a obra era para ser entregue em dezembro de 2014. 

A unidade, de acordo com informações, deveria ser composta por 15 salas de aula, laboratório de informática, sala multifuncional, sala de leitura, auditório, secretaria, direção, quadra e pátio cobertos, estacionamento e demais dependências, com capacidade para atender 720 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. 

Essa semana, o jornal O DEBATE publicou novamente uma reportagem falando sobre o descaso do poder público, que voltou a ser procurado para prestar esclarecimentos. 

Em novembro do ano passado, a prefeitura havia informado que, segundo a secretaria de Obras, uma nova licitação para a obra da Escola do Parque da Cidade seria realizada, tão logo fosse determinado orçamento para tal.

Já dessa vez, a informação emitida pelo órgão é que, devido ao não cumprimento contratual por parte da empresa que realizava a obra, está sendo feito um destrato, para que então seja realizada uma nova licitação. Na ocasião, o jornal questionou se há algum prazo para que isso aconteça, mas até o fechamento da edição o órgão não havia se pronunciado. 


Alagamentos não foram sanados

Ter sua casa invadida pela água e perder seus móveis. Essa é a realidade encarada pelos moradores da Praia Campista quando chove. Apesar de o poder público assegurar, constantemente, que adotará as devidas providências, passa ano, entra ano, e nada muda.

"Quando chove a água invade as nossas casas, fazendo com que a gente perca os nossos pertences. Na última chuva na semana passada isso aconteceu. O pior é que estamos com problemas na rede de esgoto, ou seja, quando dá a enchente os dejetos se misturam na água, colocando em risco a nossa saúde", conta Maria Elsa.

Em determinados pontos, os moradores enfrentam dificuldades para entrar e sair de suas casas. "As crianças ficam sem ter como ir para a escola e as pessoas para trabalhar. É um sofrimento. Há anos isso acontece e nada muda. Só promessas que nunca são cumpridas", relata uma outra moradora, que não quis se identificar. 


Infestação de mosquitos e ratos

Se não tem limpeza, problemas como o de zoonoses acabam surgindo. Segundo os moradores, a quantidade de ratos que tem aparecido tem sido enorme. "Outro dia coloquei remédio e apareceram dois mortos aqui em casa. A nossa preocupação é que eles transmitem doenças", diz Maria Elsa.

Prefeitura diz que limpeza de lago no Parque da Cidade está programada


Além dos roedores, os mosquitos também têm tirado o sossego da população. "Tem aparecido muito pernilongo. Nosso medo é que, com a água parada da chuva, apareçam também o Aedes aegypti. Aqui na rua tem uma poça que está cheia de larvas.

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não tem aparecido por aqui há tempos. Carro fumacê então tem anos", alerta a moradora. 


Redutores de velocidade

Há três anos, o "Bairros em Debate" vem cobrando redutores de velocidade no cruzamento na Rua Professor Gusmão, na altura do Colégio Estadual Municipalizado Coquinho. Apesar de ter ruas tranquilas, alguns motoristas abusam do limite de velocidade, colocando em risco a vida das outras pessoas, principalmente dos estudantes.


O que diz a prefeitura

Sobre os alagamentos, a secretaria de Obras informou que, desde o final do ano passado, realiza um levantamento no Parque da Cidade para que se possa fazer um projeto que deverá contemplar também o trabalho de macrodrenagem no local, para resolver a questão de alagamentos.

Já a manutenção e a limpeza no campo na Rua José Ciríaco Júnior, bem como a limpeza do antigo lago no Parque da Cidade, estão dentro do cronograma da secretaria de Infraestrutura. O serviço será realizado em breve, pois existem outras demandas em curso.

Na segunda quinzena de fevereiro a Prefeitura de Macaé iniciou ação conjunta entre as secretarias de Esportes, Infraestrutura (Serviços Públicos) e Saúde (Centro de Controle de Zoonoses e Promoção de Saúde dos Animais), realizando mutirão de limpeza e combate ao mosquito Aedes aegypti, no Parque da Cidade. O objetivo da ação é ocupar o local com atividades esportivas e culturais. Além da limpeza e do combate aos mosquitos e outras zoonoses, foram feitos ajustes na iluminação do espaço.

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) informou que existem agentes de endemias que realizam o trabalho constantemente na Praia Campista. Com relação a roedores, os moradores podem entrar em contato por meio do telefone: 0800-0226461; email: cczmacae@yahoo.com.br ou ir pessoalmente à sede do CCZ na Rua Darcílio Possati, nº 134, bairro Visconde de Araújo, para solicitar o serviço.

Já a secretaria de Mobilidade Urbana informou que o redutor de velocidade, próximo à Escola Municipal Coquinho, na Praia Campista, tecnicamente não há possibilidade de implantação de lombada física no referido local, visto que a via não é asfaltada, não atendendo assim os critérios ora dispostos na Resolução nº 600/2016 do CONTRAN, que regulamenta o assunto. Informamos, ainda, que a Rua Professor Gusmão, mais precisamente no trecho da escola, encontra-se com sinalização vertical, como: "devagar escola a 100m", "devagar em frente à escola", regulamentação de velocidade 30 Km/h, e proibição de estacionamento."

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


    Compartilhe:

Tags: bairros em debate


publicidade