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Paralisação de obras compromete a infraestrutura no Novo Botafogo

Comunidade continua convivendo com problemas de saneamento, saúde pública, limpeza e lazer

Em 26/02/2018 às 09h54


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Enquanto a urbanização segue sem prazo de ser concluída, moradores vivem de maneira insalubre Enquanto a urbanização segue sem prazo de ser concluída, moradores vivem de maneira insalubre
O acesso à educação, saúde, alimentação, ao trabalho, à moradia, ao lazer, à segurança, ao saneamento básico, entre outros, é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988. Além disso, esses itens são fundamentais para promoção de uma melhor qualidade de vida para a população. 

Só que, quando se trata do Novo Botafogo, isso está longe de ser uma realidade. Na verdade, a situação de quem vive ali é completamente oposta. Há três anos, o Bairros em Debate esteve visitando a comunidade, que é considerada uma das mais carentes do município. 

Essa semana, nossa equipe de reportagem voltou ao local para saber como está a vida das mais de 300 famílias que vivem ali. Desde a nossa última visita, muitas promessas foram feitas e poucas concretizadas.

Entre os problemas vistos logo de frente pela nossa equipe estão a falta de saneamento, ruas sem pavimentação, muita sujeira e crianças brincando em locais inadequados devido à falta de um espaço público com segurança para elas.
No local onde antes era apenas um grande manguezal, aos poucos foram surgindo residências, até que em um determinado momento as casas ocuparam todo o cenário do antigo mangue. Foi assim que surgiu o Novo Botafogo, criado a partir de um loteamento que acabou se transformando numa comunidade sem nenhum tipo de infraestrutura.


Obras de urbanização paralisadas 

Orçada em cerca de R$ 6 milhões, as obras de urbanização da comunidade deveriam ter sido entregues no dia 1º de janeiro de 2017. No entanto, o prazo não só não foi cumprido, como até hoje os moradores ainda esperam a sua conclusão. 
Mas se depender do poder público, isso não acontecerá nem tão cedo. Isso porque os moradores denunciam que há, pelo menos três meses, elas estão paradas.


Canteiros de obras seguem abandonados pelo poder público


"Paralisaram os serviços no final do ano passado sem dar nenhuma satisfação à população. O que resta agora são só os canteiros abandonados e nada de melhorias. O que fizeram até hoje foi apenas a parte de tubulação, mas ainda falta muito. Queremos explicações da prefeitura, pois o prazo já expirou há mais de um ano e nada", cobra o presidente da Associação de Moradores, Jeferson Silva.


Crianças sofrem com falta de opções de lazer

O lazer é um item fundamental para a saúde, pois controla os níveis de ansiedade e contribui com outros fatores psicológicos e também físicos. No caso de crianças e jovens, isso é fundamental para o seu desenvolvimento.

Áreas de lazer não recebem manutenção há meses


Em uma área de vulnerabilidade social, manter as crianças ocupadas com atividades é essencial para que elas não sejam atraídas para a criminalidade. No Novo Botafogo, as únicas opções para as crianças e jovens é uma quadra, situada próxima ao Senai, e um campo de areia improvisado pela população na Rua do Canal.

Como a quadra fica distante das casas, os moradores ressaltam que o desejo da maioria seria que esse campo improvisado fosse transformado em uma praça, com quadra, parquinho e bancos. "Não existe lazer aqui dentro. A população acaba improvisando. Apesar dessa área ser pública, alegam que não podem fazer a praça aqui por conta da fiação de alta tensão passar por cima. As crianças dividem o espaço com as carretas de uma empresa, que estão usando o local como estacionamento", reclama o presidente.


Na praça próxima ao Senai, nem mesmo a limpeza vem sendo feita. "O mato está tomando conta do lugar, está tudo abandonado, precisando de reforma. Fizemos esses pedidos na última edição e nada até hoje", lamenta. 
Áreas de lazer são entendidas como todo e qualquer espaço livre de edificação, destinado prioritariamente ao lazer, isto é, uma área para prática de esporte, jogos e brincadeiras. Esses pontos são utilizados pela população para interação social e para distração em momentos livres. 


Recurso hídrico comprometido 
Situado às margens de um dos braços do Rio Macaé, o Novo Botafogo sofre com a falta de saneamento. Boa parte dos dejetos é despejada sem nenhum tipo de tratamento no córrego. 
O que antes era um rio com águas limpas, hoje virou um depósito de tudo que é detrito. Além do esgoto, o local também sofre com o despejo de resíduos. 

Apesar de promessa, pedido de limpeza dos canais ainda não foi realizado 


Recentemente, o jornal fez uma reportagem falando sobre a falta de manutenção e limpeza do recurso hídrico. 
Segundo Adeilton, há tempos não é visto uma equipe da prefeitura no local. "Os canais aqui estão sujos, cheios de mato e lixo. Se der uma chuva forte novamente vai transbordar tudo. Vai ficar feia a coisa. É uma vergonha. O poder público nada faz. O mínimo era a capina nas margens e nem isso tem sido feito. Quando dá aqueles temporais a população fica assustada, sem saber se vai entrar água em suas casas", relatou na última reportagem. 

Um dos pontos críticos fica próximo a ponte. "A grande quantidade de mato está impedindo a passagem da água, formando uma represa. Se aumentar o volume, vai transbordar", alerta.

Mesmo sabendo que é dever do poder público, o morador reconhece que falta bom senso de parte dos moradores. "A população em parte tem culpa sim, pois o lixo não foi para ali sozinho", diz.

No início do mês, a secretaria de Infraestrutura informou que a programação de limpeza de canais e capina vem sendo seguida regularmente no município. Entretanto, o pedido havia sido encaminhado para que as devidas providências fossem tomadas.  
"Até hoje nada foi feito. Continua tudo da mesma maneira. Os canais estão imundos, precisando de limpeza", frisa Jeferson. 


Animais criados às margens do rio 

A exclusão social faz parte do cotidiano das famílias que vivem aglomeradas às margens do rio. Além de todos os dejetos que são despejados a cada segundo no braço do Rio Macaé, as margens, que deveriam ser compostas por mata ciliar, são utilizadas como depósito de lixo e criadouro de animais como porcos, galinhas e patos. 

Em um dos trechos, a nossa equipe encontrou vários animais dividindo espaço com entulhos e restos de móveis. Devido a sujeira, parte do recurso hídrico está ficando assoreado. Quando questionados sobre a situação, os moradores preferem não comentar sobre o caso. 

Tal situação só tem contribuído cada vez mais com o aumento da concentração de insetos, ratos, levando doenças a todos da comunidade. 


Saneamento não chega

Realidade comum em muitas áreas carentes do país, no Botafogo o problema do saneamento não é diferente. Apesar de parte da comunidade contar com rede, ela é ineficiente e os dejetos continuam sendo despejados nos recursos hídricos sem tratamento. 

Na Rua W10, um morador e comerciante relata que tem tido dificuldades para conseguir o atendimento da prefeitura. Ele conta que a sua rede está entupida há semanas. 

"Há cerca de 15 dias eles vieram aqui com o limpa-fossa, mas falaram que não poderiam resolver o meu problema. Alegaram que não tinha como desentupir. Tivemos que improvisar aqui para amenizar a situação, pois se der uma chuva vai dar retorno para dentro de casa. Não resolveram nada naquele dia e não voltaram mais. Eles são pagos para isso. Todo mês pago taxa de esgoto na conta de água, o mínimo que deveriam fazer é atender o meu pedido", diz o morador, que não quis se identificar. 


O que diz a prefeitura

Procurada, a prefeitura informou que todas as demandas solicitadas foram encaminhadas às secretarias responsáveis que estarão tomando as devidas providências. Ela explica que as obras no bairro estão paralisadas pois aguardam a liberação da concessionária Enel e também o licenciamento das pontes. Segundo a secretaria de Obras, a previsão é que as obras retornem em abril.

Ela enfatiza que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) continua com o seu trabalho de visitas domiciliares em todos os bairros. O Novo Botafogo receberá a visita dos agentes de combate à endemias nos próximos dias. Destacamos que o cidadão que desejar comunicar/compartilhar qualquer situação pode entrar em contato com o CCZ  pelo número 0800 022 6461.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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