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Problemas antigos sem prazo de solução no Aterrado do Imburo

Moradores voltaram a cobrar essa semana do poder público melhorias na infraestrutura prometidas há anos

Em 15/02/2018 às 11h57


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Moradores cobram a atuação do poder público em área rural, que está abandonada Moradores cobram a atuação do poder público em área rural, que está abandonada
Em um período de 10 meses nada foi feito. Esse é o relato dos moradores do Aterrado do Imburo, na área rural da cidade. Esse é o tempo desde a nossa última visita de Bairros em Debate, no entanto, a população conta que os problemas vêm se prolongando há anos. 

Somente entre 2016 e 2017, a nossa equipe esteve cinco vezes na localidade conversando com os moradores, que demonstravam total indignação com a realidade deles. O motivo é claro: a falta de atenção do poder público com os cerca de 1.500 habitantes que vivem no local. Mesmo com a população apontando inúmeras vezes as necessidades, a prefeitura pouco tem feito para mudar a realidade ali. 

"Nada mudou aqui nos últimos anos. Nem mesmo os serviços básicos estão sendo feitos. Estamos abandonados pelo poder público", lamenta o presidente da Associação de Moradores, Carlos José de Araújo Toledo. 
Na lista de reclamações estão a precariedade no abastecimento de água, a falta de manutenção na estrada principal e na área de lazer e a segurança pública. 

O bairro foi criado há pouco mais de 20 anos. Por estar situado a poucos minutos da Linha Azul, essa região vem crescendo ao longo desse tempo. "Precisamos de infraestrutura. Não é porque estamos distantes do Centro que não merecemos atenção. Pagamos impostos como qualquer outro cidadão", desabafa uma moradora, que não quis se identificar.


Abastecimento de água precário 

O bairro, que até hoje aguarda a chegada da rede de abastecimento, conta com caixas comunitárias que são abastecidas semanalmente pela prefeitura. Do total, apenas 10 delas estão em funcionamento, o que não supre a demanda. 
"Elas são abastecidas duas vezes na semana com um caminhão-pipa de 15 mil litros. Isso dá menos de dois mil litros por cada uma, que tem capacidade de 5 mil litros cada. É muito pouco", diz Carlos. "O ideal seria, no mínimo, 45 mil litros para amenizar o nosso sofrimento aqui", completa. 

Caixa d'água comunitária não atende a demanda da população do bairro


Se levar em consideração que a Organização das Nações Unidas (ONU) diz que 110 litros é a quantidade suficiente para atender a necessidade básica de uma pessoa por dia, no Aterrado do Imburo seriam necessários 165 mil litros para suprir a demanda de uma média de 1.500 moradores. Ou seja, os 30 mil litros, divididos pela população em sete dias, resultaria numa média de 2,85 litros por habitante, número que corresponde a 2,59% da meta estabelecida. 



Praça precisa de manutenção
Desde o último Bairros em Debate, a lista de reclamações tem um item: a manutenção da praça. Ela é hoje a única opção de lazer para os moradores, principalmente as crianças. E são elas que estão correndo o maior risco na hora da diversão. 

Área de lazer apresenta problemas de infraestrutura 


O presidente fala que é preciso concluir as obras da estrutura onde ficam os banheiros e as salas, onde, até então, funcionava o projeto Educa Mais. "A praça do bairro continua em grande abandono. Os banheiros estão sem vaso sanitário e instalações em geral, os brinquedos todos quebrados", relata o presidente. 

Do outro lado da rua, um campinho de terra também é outra promessa do governo. "Falaram que havia um projeto para cá, mas nunca mais tocaram no assunto", relata.


Manutenção nas vias 

"A via principal do bairro está precisando de manutenção", dizem os moradores. Segundo o presidente da associação, a situação ali só tem piorado. "Vocês podem perceber que os buracos só aumentaram. Tem trechos que nem dá para acreditar, mas eles são asfaltados. Antes eles ainda faziam o serviço de tapa-buraco, mas hoje nem isso tem sido feito. Já é uma estrada perigosa, agora com o asfalto nessas condições, a tendência é que o índice de acidentes só aumente", alerta Carlos.

Buracos colocam em risco a segurança dos condutores que passam pela via principal 


Mas se está ruim onde o asfalto existe, onde não há pavimentação é ainda pior. "No local onde fica o ponto final do ônibus forma uma bacia de lama quando chove", conta.

Os investimentos feitos nessa área não representam apenas melhorias na questão da acessibilidade no bairro, mas também redução nos riscos à saúde pública, promovendo, consequentemente, a melhoria na qualidade de vida dos moradores. 


Além disso, a manutenção das vias está prevista dentro do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), que garante que é dever das autoridades promover um trânsito seguro e de qualidade.

De acordo com o Art. 1º "O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito".


O que diz a prefeitura

Procurda, a secretaria de Infraestrutura informou que, com relação aos buracos, o serviço não foi realizado em função das chuvas nos últimos dias. A ação será realizada depois do Carnaval, assim como a capina nas ruas do bairro. Ela explica que solicitações e reclamações devem ser realizadas pelo telefone (22) 2796-1235. Em tempo, não há nenhuma solicitação registrada para o local.

No que se refere a área de lazer, foi realizado o levantamento das necessidades de todas as praças do município, dando origem a um processo para a realização destes. Este, encontra-se em fase de orçamento, segundo a prefeitura.
Sobre o abastecimento das caixas d`água, o setor responsável informou que enviará uma equipe para avaliar a real necessidade, para tomar as devidas providências.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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