Cadastre-se e receba nossas novidades:

Notícias

Nupem alerta sobre a abertura da barra da Lagoa

Em nota, a instituição explicou que é contra o procedimento e apresentou os estudos feitos no manancial

Em 30/11/2016 às 14h56


Versão para impressão
Enviar por e-mail
RSS
Diminui o tamanho da fonte Aumenta o tamanho da fonte


Após realizar a abertura sem autorização, a Prefeitura de Macaé foi autuada pelo Inea 


Após a barra da Lagoa de Imboassica ser aberta pela Prefeitura de Macaé sem a autorização do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) no último dia 17, o Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (NUPEM/UFRJ) também decidiu se pronunciar sobre o caso.

A instituição entrou em contato com o jornal essa semana, quando enviou uma nota explicando que foi contra a ação. Como justificativa, o Nupem explicou que pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro vêm estudando o manancial desde 1985, sendo possível acumular, por mais de três décadas, muitas informações importantes sobre este ecossistema.
A nota destaca que a "abertura artificial da barra de areia, que separa a Lagoa Imboassica do mar, é um dos aspectos que mais recebe atenção dos pesquisadores". 

A universidade ressalta que, por diversas vezes, foram destacados os graves efeitos do processo de abertura da barra. Os pesquisadores apontam as consequências para as espécies que habitam a lagoa, fora os prejuízos econômicos e sociais decorrentes de tais ações.   

Segundo o Nupem, a abertura resulta em "acentuada redução da biodiversidade lagunar a médio e longo prazo, causada pela mortandade massiva das espécies intolerantes à água salgada; e na degradação de sua balneabilidade, resultante da capacidade da lagoa em diluir o esgoto 'in natura' que ainda é despejado neste ecossistema". 

Os resultados de vários anos de monitoramento de qualidade da água na lagoa, depois das aberturas da barra (1998-2012), "permitem constatar que a qualidade da água não atinge os níveis permitidos para o banho e esportes náuticos, mesmo após estas intervenções". 

Diante disso, a instituição tem recomendado que esse procedimento seja feito apenas quando o Canal Extravasor não for suficiente para escoar a água excedente para o mar, principalmente no período chuvoso. 

"Desde 2011, a eficiência dele foi maximizada por meio da construção de um dique submerso, que impede o dessecamento da Lagoa Imboassica quando o canal é aberto, diferentemente do que ocorre quando a barra é aberta", diz a nota ressaltando que "para o controle das inundações nas áreas do entorno, o NUPEM/UFRJ já recomendou, diversas vezes, que os órgãos responsáveis realizem anualmente sua limpeza até o mês de novembro, imediatamente antes do período das chuvas na região", completa.

A abertura da barra também poderia servir de alternativa "quando a concentração de cianotoxinas ultrapassar os limiares permitidos pela legislação, comprometendo os organismos aquáticos e a saúde de banhistas e praticantes de esportes aquáticos". 

Instituição desmente que foi a favor

O Nupem alega que não foi consultado pelos responsáveis pela abertura da barra, no caso a Prefeitura de Macaé. E que não emitiu laudo sobre a densidade dos organismos do grupo das cianobactérias. 

Ele ressalta que um dos principais problemas do manancial é o excesso de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, causado pelo despejo de esgoto durante décadas. A instituição afirma também que, apesar de investimentos em saneamento estarem sendo feitos, ainda existem lançamentos clandestinos. 

Dessa forma, ações como a realizada pela prefeitura podem ter um efeito contrário àquele esperado, pois a concentração de nutrientes na água aumenta em termos relativos devido ao baixo volume da lagoa. 
"Isso também favorece a ressuspensão dos nutrientes acumulados no sedimento do fundo. Para se recuperar ou 'limpar' a lagoa, é necessário, portanto, impedir que esgoto não tratado continue entrando. Outras ações, como a abertura da barra, são meramente paliativas", alerta.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


    Compartilhe:

Tags: cidade


publicidade