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Atividades do Nupem são impactadas por forte cheiro de gás

De acordo com denúncias, confirmadas por profissionais da instituição, o cheiro surge de uma ETE da prefeitura localizada ao lado da unidade

Em 11/09/2013 às 13h55


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De acordo Marcos Roberto, após o problema de saneamento ser resolvido, o foco será a recuperação da lagoa de Imboassica De acordo Marcos Roberto, após o problema de saneamento ser resolvido, o foco será a recuperação da lagoa de Imboassica
Na teoria, o saneamento básico significa a atividade relacionada ao abastecimento de água potável, ao manejo de água pluvial, à coleta e tratamento de esgoto, à limpeza urbana, ao manejo de resíduos sólidos e ao controle de pragas e qualquer tipo de agente patogênico, visando a saúde das comunidades. Mas, na prática, nem sempre é assim e, com isso, a saúde da população, que deveria ser preservada, é posta em risco. 

Em Macaé, uma cidade conhecida mundial e internacionalmente, esse é um dos grandes desafios da atual gestão municipal, que conta com uma população de 220 mil habitantes, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada recentemente. 

No início desta semana, a redação do Jornal O Debate recebeu uma denúncia anônima a cerca de um forte cheiro de gás, que estaria prejudicando as atividades no Núcleo em Ecologia de Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (Nupem). Segundo os relatos, esse problema estaria vindo de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) localizada ao lado da instituição.

A equipe de reportagem esteve na unidade ainda na manhã de segunda-feira e constatou a denúncia. De fato, o cheiro de gás estava insuportável e, por conta disso, algumas atividades foram suspensas e profissionais liberados. Na oportunidade, alguns docentes da unidade de ensino disseram que a cada dia está mais difícil conviver com o cheiro de gás e, informaram ainda, que o problema começou a se tornar frequente em meados da última semana. "Essa unidade estava desativada e foi reativada em junho, para segundo a Esane, atender as demandas da Brasil Offshore e, em seguida, ser desativada novamente para se transformar apenas em uma elevatória para bombear o esgoto para a ETE, que está sendo construída do outro lado, no entanto, diariamente, diversos caminhões continuam fazendo o despejo do esgoto in natura no local. E o que a gente observa é que essa ETE nada mais é que um "liquidificador de coco", pois aparentemente não é feito nenhum tratamento do efluente sanitário que é despejado ali. Com isso, vários profissionais foram liberados na parte da manhã, o que acaba prejudicando todo nosso trabalho", ressaltou Rodrigo Nunes.

O presidente da comissão de Biosegurança do Nupem, Jackson de Souza Menezes, destacou que desde que o local foi reativado, todo o corpo acadêmico convive com além do cheiro de gás, com o cheiro forte de esgoto e que apesar de não haver nenhuma comprovação específica, a morte sem justificativa, de animais utilizados para pesquisas na unidade tem sido constante. "Estamos aqui diariamente e não vemos o gerenciamento desse material. O local funciona simplesmente como depósito e não sabemos o porque esse cheiro forte de gás. Sem contar que passamos a conviver também com uma infestação de rato desde que o local foi reativado. Muitos dos nossos profissionais foram dispensados com fortes dores de cabeça e náuseas. E hoje (segunda-feira) a situação está fora do normal", disse Jackson
Eles lembram ainda que várias reuniões já foram feitas com representantes da Esane para discutir o problema, mas que até o momento, nada foi feito. 

Meta da Esane é ter a cidade toda saneada em quatro a cinco anos

Procurada pela redação do Jornal O Debate, a Empresa Municipal de Saneamento - Esane, por meio do diretor presidente Marcos Roberto Muffareg e do diretor de Obras, Danilo de Paula Maltez informou que desconhece esse cheiro de gás, que não sabem sua origem e que a reativação do local foi um grande ganho para o município. Os profissionais informaram ainda que uma equipe iria ao local ontem para verificar a situação. Mas até o fechamento desta edição, essa visita não foi confirmada. 

"Com a reativação dessa ETE, evitamos que 100 mil litros de esgoto fosse lançado no meio ambiente. Pois enquanto ela estava desativada, o meio ambiente estava sendo poluído. E nessa ETE é feito todo um processo: primeiro é feita a desaneração, o despejo em uma caixa que chamamos de caixa de areia, em seguida é feito o processo de sedimentação e, por último, o processo de digestão anaeróbico", explicou Marcos Roberto.

Segundo eles, se tem algo acontecendo para originar esse cheiro de gás, pode ser algum problema de operação. "Vamos encaminhar uma equipe para o local para verificar a demanda", disse Danilo. 

Na oportunidade, eles destacaram os avanços obtidos esse ano na área do saneamento como um todo. "Tivemos grandes avanços. E esse mês vamos ter muito mais. Já temos várias ações previstas para começar, como por exemplo a obra na ETE Mutum, pois antes não tínhamos uma gota de esgoto tratado na cidade e, atualmente, 20 litros por segundo são tratados com eficiência. E nossa previsão é de que até o final de dezembro, essas obras estejam concluídas para começar a operar em 2014. E em quatro e cinco anos, toda Macaé estará com a situação de esgoto controlada", ressaltou Marcelo.

Danilo lembra que a previsão é de que até o final desse mês, sejam entregues quatro grandes subsistemas para atender parte das demandas. Já Marcelo relata que atualmente todo Mirante da Lagoa já não está mais jogando o esgoto no tão importante ecossistema - que é a lagoa de Imboassica. "Grande parte do Mirante da Lagoa já está ligada à ETE Mutum e até janeiro toda a população vai estar lançando os efluentes nessa unidade de tratamento. E nossa preocupação vão passar a ser os lançamentos clandestinos e vamos garantir que todos os prédios estejam ligados e, com o problema do saneamento resolvido, vamos poder focar nossa atenção para a recuperação da lagoa de Imboassica", finalizou Marcos. 


Autor: Juliane Reis/ Juliane@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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