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Execução de Motta Coqueiro intriga a população até hoje

157 anos depois após a sua morte, história ainda chama a atenção de muitas pessoas

Em 30/07/2012 às 13h34


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Uma das histórias mais conhecidas de Macaé é rodeada de mistérios e chama uma grande atenção de todos, a de Manoel da Motta Coqueiro. Muitos dizem, e acreditam, que ele teria sido o último enforcado no Brasil, em agosto de 1855, mas de acordo com o historiador Ricardo Meirelles, depois de Motta Coqueiro mais duas pessoas foram enforcadas. "A única diferença é que essas duas pessoas não eram conhecidas publicamente como ele", ressaltou.

O historiador conta que Motta Coqueiro vivia do que plantava e colhia em sua fazenda. Ele era casado com Úrsula das Virgens Cabral e possuía cinco vastas propriedades rurais, entre elas, a fazenda do Bananal, situada no atual município de Conceição de Macabu, que na época fazia parte da Freguesia de Nossa Senhora das Neves, que hoje conhecemos como Macaé.

Motta Coqueiro e Úrsula eram quase sempre listados entre os fazendeiros ricos de Macaé, mas Meirelles ressalta que mesmo assim, o casal não estava entre os mais importantes da região. Em 1847 eles foram convidados a participar de uma festa realizada em Quissamã, onde Motta Coqueiro chegou a cumprimentar o Imperador Dom Pedro II. A festa foi feita para 300 convidados, o que para a época era considerado um número muito grande. O que chamou a atenção, foi que Motta Coqueiro foi convidado para a ocasião, mesmo não sendo um dos grandes fazendeiros do município.

Filha de colono engravida de Motta Coqueiro

Com o fim do tráfico negreiro e a Lei Eusébio de Queirós, assim como vários outros fazendeiros da época, Motta Coqueiro iniciou a prática do regime de parceria com colonos livres. Em uma de suas fazendas foi chamado para trabalhar o meeiro Francisco Benedito da Silva, que levou sua família junto. O que se sabe é que, uma das filhas do colono, que se chamava Francisca teve um caso amoroso com Motta Coqueiro, e após este envolvimento ela ficou grávida.

Sabendo do que havia acontecido, o pai de Francisca buscou vantagens junto ao patrão, pedindo dinheiro por conta da gravidez de sua filha. A partir deste momento, vários conflitos surgiram entre os dois. Francisco chegou a agredir Motta Coqueiro com a ajuda de amigos.

1852: Colono de Motta Coqueiro e família assassinados dentro de casa

Em 1852, numa noite chuvosa, o colono Francisco Benedito e toda sua família foram mortos a golpe de facões por um grupo de bandidos, escapando somente Francisca, a filha grávida. Além da chacina, os criminosos ainda colocaram fogo na casa. Ricardo Meirelles contou também que naquele dia chovia bastante e o fogo não se alastrou, o que provocou um cenário chocante, onde os corpos não foram totalmente queimados, ficando expostos. "Foram ao todo oito pessoas assassinadas, sendo o colono, sua esposa e mais seis filhos, três adolescentes e três crianças", detalhou.

Após o crime, Motta Coqueiro foi considerado o mandante da chacina e era chamado de monstro, ficando conhecido como "A Fera de Macabu". "O mais impressionante disso tudo é que, ele em nenhum momento disse se foi ele ou não, simplesmente não se defendeu da acusação. Este mistério, esta coisa enigmática é que dá o sabor a essa história", disse Ricardo.

Segundo Meirelles, o que foi especulado na época foi a possibilidade de ter sido sua esposa Úrsula, a mandante do crime, já que se sentiu traída e não aceitava o que o marido havia feito. Mesmo assim, Motta Coqueiro foi preso como principal suspeito dos assassinatos. "Para intensificar ainda mais todo esse mistério, é que ele teve a possibilidade de fuga quando foi transferido para Campos dos Goytacazes. Fazendeiros de Campos e pessoas da mesma classe social de Motta queriam fazer com que ele não fosse punido e deram a ele a oportunidade de fugir, pegando um navio para sair do Brasil, mas ele se recusou e ficou preso aguardando o julgamento.

1855: Condenação e execução em praça pública

Em agosto de 1855, Motta Coqueiro foi julgado e condenado pelo crime. "Muitas coisas estranhas aconteceram em seu julgamento, uma delas foi o fato de que escravos nunca poderiam testemunhar contra os seus senhores, mas no julgamento dele uma das escravas de Motta Coqueiro testemunhou contra ele, o que contribuiu e muito para sua condenação", disse Ricardo Meirelles.

Após ser condenado, Motta Coqueiro voltou a Macaé para a execução, que aconteceu na Praça da Luz, onde hoje está situado o Colégio Estadual Luiz Reid. Ricardo contou que Motta Coqueiro saiu da Rua Dr. Télio Barreto, onde ficava o Paço Municipal, foi andando com a Guarda Vigilante até o local de execução e foi enforcado em praça pública, na presença de milhares de pessoas. "Uma condenação dessas naquele tempo era uma coisa muito exposta, um acontecimento onde todos tinham que comparecer", disse.

Muitos dizem que, antes de ser enforcado, Motta Coqueiro teria jogado uma maldição na cidade, dizendo que Macaé teria 100 anos de não progresso. "Por conta desta lenda, muitas pessoas acreditam que de fato esta maldição deu certo. Quando a Petrobras chegou na cidade, coincidiu com os 100 anos. Mas se pegarmos a história de Macaé, antes da Petrobras, já havia um progresso cultural e econômico acontecendo. Mas não adianta provar com a história, porque a história que o povo cria é mais interessante do que a verdadeira".

Embora não tenha nenhuma documentação que comprove isto, Ricardo disse ainda que é provável que o corpo de Motta Coqueiro tenha sido enterrado nos arredores onde hoje é o Cemitério de Santana. "Essa história, assim como muitas outras é muito rica, mas infelizmente temos uma população bastante modificada. A grande maioria não é mais original de Macaé, e a história acaba ficando mais apagada. Neste ponto de vista, perdeu um pouco da sua força lendária, como tinha para os antigos macaenses", completou o historiador Ricardo Meirelles.



Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br


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