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Em Macaé, ex-cozinheira de Michael Jackson conta história ao lado do astro

Em 03/01/2011 às 13h44


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Dona Remi esteve na redação do Jornal O DEBATE Dona Remi esteve na redação do Jornal O DEBATE
O ano de 2011 será de muitas lembranças para Raymunda Vila Real, a famosa Dona Remi, que  ficou conhecida internacionalmente como Mrs. Vila Real por seus dotes culinários. Remi que tem hoje 85 anos de idade, passou cinco anos de sua vida se dedicando de forma cuidadosa e carinhosa ao Rei do Pop, Michael Jackson. 

A cozinheira chegou em Macaé para festejar o Natal e Ano Novo na casa dos familiares de amigos que moram próximo a ela em Los Angeles. Em entrevista ao Jornal O DEBATE contou como tudo aconteceu em sua vida até conhecer Michael, e como era o seu relacionamento com o Rei. 

Após chegar nos Estados Unidos, ainda jovem, passou por diversos empregos, sempre trabalhando para celebridades importantes, principalmente do mundo da música. Dona Remi conheceu Michael Jackson através de um dos maiores produtores musicais do mundo, Quincy Jones, para quem cozinhou também. 

Segundo ela, durante um banquete promovido pelo produtor para o Rei do Pop em 1981, MIchael estava em época de esaio  para começar uma turnê, Remi já sabia que o astro era vegetariano e pensou no que poderia fazer para agradá-lo “Ele tinha medo da comida”, disse. Como conhecia uma infinidade de receitas, Mrs. Vila Real preparou um prato a base de salsa, feijão fradinho, arroz integral e couve mineira. “Foi com esta receita que conquistei Michael Jackson”, brincou. 

Logo no início da turnê, Michael já se sentia cansado e começou a cancelar vários show. Diante desta situação, os produtores do astro entraram em contato com dona Remi através de um telegrama com selo de urgência, para que a mesma comparecesse no escritório dele em Los Angeles, e foi chamada a acompanhá-lo durante as apresentações, já que Michael estava se sentindo fraco e não comia direito.

Mrs. Vila Real aceitou o emprego e seguiu para Atlanta, onde foi recepcionada por um choffer de limosine que se apresentou e a levou para um hotel. “Me senti muito importante naquele momento, era tudo muito sofisticado. Muito luxo me assusta”, riu ao contar a história. Na chegada ao hotel, já estava sendo aguardada por diretores e produtores para iniciar uma reunião. Todos se uniram para realizarum estudo e criar ingredientes e receitas para serem preparados para Michael.

Com todo carinho e dedicação de cozinhar de forma extraordinária, Dona Remi caprichou nas refeições e levantou o Rei do Pop, que voltou a se apresentar na turnê que durou cerca de oito semanas. “Além da comida, durante os shows eu sempre fazia um chá especial com limão e mel de abelha, que ficava no palco para ele beber nas pausas”, revelou.

Em 1984 ela acompanhou Michael durante outra turnê, sempre com todo cuidado, e por passarem tanto tempo juntos criou-se uma bela amizade entre os dois. “A nossa relação era de mãe e filho, éramos muito amigos. 

Eu colocava ele para dormir, porque gostava de ser tratado como uma criança, eu adorava passar esses momentos com ele, sem contar que sempre foi muito carinhoso. Uma das coisas que acontecia muito, era quando eu falava inglês errado, ele de divertia e brincava comigo” relembrou os momentos dona Remi.

Mrs Vila Real ficou com Michael por cerca de cinco anos. Após a turnê de 84, alguns anos depois ele iniciou uma outra em que percorreu o mundo, mas ela não acompanhou. Mas sempre que o astro realizava jantares e banquetes chamava Remi para preparar as receitas. “Lembro que um dos dias em que ele ficou mais nervoso foi quando recebeu em sua casa, a atriz anglo americana Elizabeth Taylor. Nossa, ele não sabia como se portar, pediu minha opinião sobre vários detalhes, e foi muito bom”, contou.

O Rei do Pop

 O jeito diferente, ousado de dançar, e a irreverência foram grandes fatores que contribuíram para o grande sucesso do astro. Com o álbum Thriller, CD mais vendido de todos os tempos, a partir daí,   Michael Jackson ganhou o titulo do rei do pop.
Dona Remi também relembra com emoção destas habilidades de Michael e disse que nunca viu ninguém dançar tão bem como ele. “Ele era único, sempre foi muito criativo e tinha uma facilidade de se movimentar em suas danças impressionante, eu amava aquele jeito”.

A morte de Michael Jackson

Michael morreu aos 50 anos de idade, na tarde do dia 25 de junho de 2009 às 18h26 após ser levado para o hospital UCLA Medical Center, em Los Angeles depois de sofrer uma parada cardíaca em casa. Jackson não estava respirando quando os paramédicos chegaram à sua e quando foi encaminhado ao hospital já em estado de coma.

Alguns dias antes do seu falecimento, Dona Remi visitou Michael quando ele estava na casa da mãe em Los Angeles. Segundo ela, ele estava bastante depressivo e não era mais o mesmo. Depois desta visita a cozinheira e amiga do astro do pop foi embora e não teve mais contato com ele. 

Remi retornou a cidade e tentou vê-lo por duas vezes, mas segundo ela, a segurança estava tão rígida que ela foi impedida de entrar. “Até que chegou o dia horrível, foi uma perda muito grande. Eu não acredito que ele tenha morrido, não consigo imaginar ele morto”, falou com tristeza.

Acusações de pedofilia 

Em 1993 Michael Jackson foi acusado de abusar sexualmente de um menino de 13 anos que frequentava seu rancho, o Neverland. As excentricidades e os problemas na Justiça com as acusações de pedofilia ajudaram a esfriar a carreira de Jackson, e os álbuns mais recentes do cantor não emplacaram. 

Dez anos depois, bombardeado pela mídia, o cantor concedeu uma entrevista à ITV, no especial Living with Michael Jackson. O que era uma oportunidade para Michael se redimir, acabou tendo efeito contrário. 

O astro disse que não havia mal nenhum em dormir na mesma cama com garotos e foi além: confessou que gostava de dormir ao lado dos seus convidados no rancho Neverland. A polêmica gerada pela entrevista provocou uma investigação policial, na qual Michael foi preso e liberado após pagar fiança de US$ 3 milhões. 

Em 2005, outro garoto moveu um processo de pedofilia contra o músico, que negou as alegações de abuso sexual. O julgamento durou cinco meses e ele foi absolvido por falta de provas. E foi inocentado e por unanimidade, com 12 jurados, sendo oito homens e quatro mulheres. Depois do julgamento, abandonou o rancho de Neverland, se mudou para o Bahrain e viveu recluso durante cinco anos. 

Diante de tantas acusações e momentos difíceis pelos quais Michael passou, amigos e pessoas próximas a ele, confiaram na inocência do cantor, assim como Mrs. Vila Real, que conhecia bastante o Rei do Pop. “Depois de tantas mentiras, tantas maldades que fizeram com ele, Jackson ficou limitado, impossibilitado de ficar bem. Essas acusações foram absurdas e mentirosas. 

As pessoas confundem as coisas, e digo que não vou encontrar nunca mais uma pessoa que goste tanto de crianças como ele gostava. Ele não teve uma infência comum, cresceu fazendo shows, e ficar com as crianças, gostar delas, ter este carinho, era uma maneira que ele encontrava de compensar a sua infância perdida”, declarou com segurança Dona Remi.

A culinária que conquistou Michael 

Dona Remy nasceu em Mascarenhas, município de Curvelo em Minas Gerais, onde começou a sua história e paixão por cozinhar. Segundo ela, suas primeiras receitas foram feitas quando ainda tinha apenas cinco anos de idade, e depois de alguns poucos anos cozinhava para os funcionários de seu avô que faziam colheitas de milho, feijão, cana e café.

Quando chegou aos 13 anos, Raymunda passou a trabalhar para um fazendeiro num alambique com preparação de cachaça, ganhando o equivalente hoje a um centavo. 

Depois, sua mãe a retirou do trabalho e a colocou numa escola, onde não ficou muito tempo e posteriormente foi levada para morar com a mãe e o padrasto. Remy relembra esta faze com tristeza, quando passou por muitas dificuldades devido ao mal relacionamento que tinha com o companheiro da mãe. 

- Ele era um homem alcóolatra, um dia chegou em casa, me pediu para cozinhar e por um descuido deixei a comida queimar, foi quando ele se revoltou e me bateu muito até eu ficar inconsciente. Devido esta grande discórdia, o meu avô me tirou da casa da minha mãe e me levou para morar com ele.

Aos 19 anos Remy já fazia banquetes e já ganhava com seu trabalho. Nesta época conheceu um alfaiate, foi para São Paulo, com a expectativa de crescer profissionalmente e pela paixão que tinha por seu companheiro, se casou com ele e a união durou seis anos. A separação aconteceu por conta de uma traição.

Após a decepção amorosa, a cozinheira de mão cheia queria crescer ainda mais com o dom que Deus lhe deu e foi para o Rio de Janeiro, onde foi chamada para participar da campanha de Juscelino Kubitschek, preparando banquetes especiais para todos os envolvidos no trabalho.
 
Anos depois, quando estava com 43 anos passou a trabalhar no Barman Club, no Rio, e em uma oportunidade, o dono do local, um português de nome Alfredo resolveu fazer um banquete para Sérgio Mendes, músico e compositor brasileiro de bossa nova, com uma extensa carreira internacional. 

Em visita ao estabelecimento, foi muito bem recepcionado com as delícias preparadas por dona Remy. Após terminar a refeição, o músico chamou a cozinheira e fez uma tentadora proposta, a de ir para os Estados Unidos e trabalhar para ele.

Remy aceitou o convite e foi junto com Sérgio Mendes. Passou dois anos cozinhando para o músico, onde conheceu o mundo das celebridades. A partir daí, não parou mais de encantar o paladar de todos que já tiveram a oportunidade de provar os seus temperos e as mais diversas receitas. 

“O mineiro tem um jeito especial de usar o tempero e cortar os ingredientes. Eu sempre digo que fazer uma feijoada é como compor uma música”.

Ela contou em entrevista que, quando foi para os Estados Unidos não sabia falar inglês, mas que conseguiu se comunicar muito bem e de forma rápida. “Eu fabriquei um inglês quando cheguei lá e mostrei aos americanos como se come”, disse em tom de descontração. 

Depois de Sérgio, foi trabalhar com o comediante e diretor americano Dick Martin, mais conhecido por seu papel como co-apresentador do programa de comédia Rowan & Martin’s Laugh-In, que durou de 1968 a 1973, onde ele convidava várias estrelas para provar a comida da famosa cozinheira.

Remi ficou tão conhecida que começou o seu serviço também com Dick Martin, onde foi apresentada a Michael Jackson e viveu um período de cinco anos considerado por ela como maravilhoso.

Autor: Vanêssa Cunha | vanessa@odebateon.com.br

Foto: Divulgação


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