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Autoridades se reúnem no Nupem dia 18 para poder salvar a Lagoa

Em 07/11/2010 às 21h17 - Atualizado em 09/11/2010 às 17h20


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O grande espelho de água que se tornou ponto de referência para os amantes da natureza e que compõe a Lagoa de Imboassica começou a morrer na década de 70, ou bem antes de a Petrobras aportar por aqui suas unidades para explorar petróleo na plataforma continental do Litoral Fluminense.

Quando começou a ser aterrada para dar lugar a alguns loteamentos por conta da especulação imobiliária, houve protestos da população e todos os órgãos ligados ao meio ambiente foram cobrados. Apenas medidas paliativas ou políticas tomadas no calor da mobilização popular acalmaram os ânimos, mas não o suficiente para sufocar o grito daqueles que, hoje em menor quantidade, continuam lutando para salvar a lagoa que, no passado, das mais piscosas e de ótima balneabilidade, passou a ser perigosa pelo alto grau de poluição que vem sendo ampliado e as autoridades simplesmente ignoram a necessidade de sua recuperação.

E dispostos a não dar mais trégua para aqueles que teimam em não dar ouvidos ao clamor da sociedade, é que um grupo de pessoas amante da natureza decidiram, há 20 dias, mobilizar a comunidade para cobrar das autoridades providências efetivas para salvar a Lagoa de Imboassica. Nasce, desta forma, no município, o movimento “SOS Imboassica - Projeto Lagoa Viva”, com o apoio de vários profissionais dos mais diferentes segmentos e, principalmente, da Maçonaria Macaense, da Associação de Vela de Macaé (Macvela), da Associação Macaense de Engenheiros, Geólogos e Arquitetos (Amega) e do professor Francisco Esteves, biólogo da UFRJ, que implantou o Nupem e foi o responsável pela criação do Parque Nacional de Jurubatiba. Na década de 80, foi ele o responsável pelo monitoramento da lagoa que está vendo morrer sem que haja nenhuma ação objetiva para sua recuperação.
Membro da Macvela e da Amega, o engenheiro Ubiracy Pereira Jardim, inspetor do Crea-RJ, vem se empenhando e ganhando apoio na luta de recuperação da lagoa. 

Para que o sonho se torne realidade, está marcada para a próxima quinta-feira (18), às 14h, no auditório do Nupem, situado próximo ao Parque de Exposição, a primeira reunião do grupo interessado em encontrar a solução. “Vamos discutir com seriedade um problema que afeta toda a população. O movimento vai ser bem transparente para cobrar providências das autoridades responsáveis”.

Ele só confirmou o encontro, que tem o apoio irrestrito de O DEBATE, jornal que tem compromisso com Macaé, depois de conversar longamente com o professor Francisco Esteves, disponibilizando o Nupem e, nas suas declarações, disse: “A lagoa é um paciente internado na UTI, entubado, pesando 180 kg, com 1,70m de altura, e o tratamento é dar duas feijoadas por dia ao paciente e de sobremesa marmelada com queijo”.
O professor Francisco Esteves foi mais além: “Todos sabem o que é necessário para salvar a lagoa. Os royalties deveriam ser priorizados em salvar um patrimônio sócio-econômico da cidade de Macaé. Com as chuvas, metais pesados são carregados para a lagoa, junto com esgoto das moradias, transformando o local em depósito de dejetos. Meus alunos pediram transferência para estudar a Lagoa de Jurubatiba, com receio de adquirir alguma doença em Imboassica.

Se eu morresse hoje, morreria frustrado de não ter conseguido salvar a lagoa. Estou indo para a Amazônia semana que vem, porque estamos salvando um manancial cinco vezes maior que Imboassica”.

Frases que ganharam eco, na opinião do engenheiro Ubiracy Jardim, o professor Francisco Esteves é uma das autoridades mais importantes que poderá indicar o caminho a ser percorrido para salvar a Lagoa de Imboassica e espera contar com a presença das pessoas convidadas para participar desta primeira reunião, marcada para o dia 18, iniciando o movimento “SOS Imboassica - Projeto Lagoa Viva”.


Uma lagoa de sonhos

Parques de diversões, centros históricos cobertos de séculos de importância e destaque ambiental são algumas das obras e qualidades que levam um município à categoria de “cartão-postal”. Em Macaé não resta dúvida: não é a baixa quantidade de entretenimento construído ou edifícios centenários que atraem os turistas, mas o turismo ecológico, as belas paisagens, o verde, o contato com a natureza e tudo isso com a proximidade de grandes centros do estado. Macaé tem e sempre teve todo o potencial de ganhar dinheiro com sua fauna e flora única.

Mas ainda parece não perceber que ambientalismo pode andar de mãos dadas com economia e turismo. Prova disso são as condições em que se encontram a Lagoa de Imboassica, provavelmente responsável pelo pôr do sol mais bonito da região, mas ainda muito longe de uma “lagoa dos sonhos” do cidadão macaense pelo modo em que vem sendo tratada, inclusive por seus vizinhos.

Recuperar a Lagoa não é somente um dever governamental - uma vez que a morte desse ecossistema, mesmo com tantos avisos e tantos apelos da população, é um crime ambiental - mas ainda uma prova de ignorância absurda -  já que joga pelo ralo a possibilidade de usufruir de modo  sustentável desse local, trazendo tanto mais turistas, como mais contato entre eles e a natureza, e entre a população macaense e seus próprios pontos turísticos.

A falta de conhecimento da Lagoa por parte dos próprios moradores pode ser um dos fatores  responsáveis pela falta de uma mobilização ainda maior pela revitalização da região, como aconteceu, por exemplo, com a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, quando sua poluição começou a atingir os moradores que sofriam ao caminhar pelas suas margens.

Entretanto, não é preciso esperar que a poluição e o assoreamento da Lagoa comecem a incomodar mesmo quem não está tão perto do problema, como banhistas e desportistas que convivem ao lado da possibilidade de contraírem doenças. Pouquíssimos moradores efetivos da cidade frequentam a nossa lagoa, justamente porque ela tem muito pouco a oferecer para aqueles que não praticam esportes náuticos que não possam ser transferidos para o mar.

Por outro lado, essa beleza natural chega a ser um incômodo para aqueles que moram no perímetro atingido durante os períodos de cheia. O crime ambiental é ainda maior quando, durante esse período, moradores desesperados e descontrolados apelam para a abertura da lagoa para o mar.

Vozes pela revitalização

Escritores, fotógrafos, velejadores, surfistas da vizinha Praia do Pecado, jornalistas, ambientalistas. Muitos já tentaram avisar sobre a morte da Lagoa de Imboassica ao perceber o quão perto do fim ela estava. O fim está realmente próximo, mas pode ser reversível. Para evitar que os moradores de áreas nobres da cidade se vejam daqui a dez anos morando ao lado de um mangue, visitado somente por mosquitos, hepatite e leptospirose, é preciso começar cedo. Mais cedo. Ontem, se fosse possível. 
Entretanto, como todas essas vozes separadamente não deram o resultado esperado, chegou a hora de unir a população macaense formando um apelo uníssono: e assim nasce o Projeto Lagoa Viva.

Assim como movimentos anteriores como o SOS Praia do Pecado, que militou pela revitalização da praia vizinha durante algum tempo, o Projeto Lagoa Viva pretende relembrar à população que possa ter se esquecido, desse pedaço de vida que temos ao lado de casa.

Mais do que colocar a mão na massa, essa mobilização tem o objetivo de colocar as ideias em pauta, promover debate e mostrar que não são apenas meia dúzia de “eco-chatos” que estão preocupados com o futuro turístico, econômico, ambiental e social da cidade.

A ideia é mudar a concepção da região de água abandonada para espaço propício para banho, prática de esportes, escolinhas de natação, vela e canoagem para crianças e adultos, turismo ecológico e, eventualmente cartão-postal. Imagine a Lagoa de Imboassica de hoje. Ainda temos um longo caminho a trilhar até a Lagoa dos sonhos. E nenhum tempo a perder para que tenhamos a possibilidade de tentar.


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