Ricardo Meirelles

O jornal O DEBATE entrevistou representantes de diversos segmentos da sociedade macaense, ouvindo suas expectativas, seus sonhos, suas frustrações e projetos para quando tudo passar

Pelos números oficiais, a pandemia está começando a ir embora, mas deixa um legado de preciosos ensinamentos. As perdas foram devastadoras, muitas empresas e empresários vêm sofrendo a amargura dos planos interrompidos e das vendas não realizadas. Mas o sentimento de sobrevivência prevalece.

Entretanto, em meio à nebulosidade do momento, o país vive o luto de mais de 55 mil vidas ceifadas. Em Macaé, são quase 100 perdas. Porém, já é possível começar a ver uma luz no final do túnel e enumerar os aprendizados provocados por esse trágico momento. Na verdade, o vírus trouxe uma lição: transformar adversidades em novas estratégias de vida, fazendo a humanidade rever valores que estavam esquecidos.

O jornal O DEBATE entrevistou representantes de diversos segmentos da sociedade macaense, ouvindo suas expectativas, seus sonhos, suas frustrações e projetos para quando tudo passar.

O Presidente da Comissão Municipal da Firjan, Evandro Cunha, ressaltou que “Realmente é momento para um repensar em tudo, tanto no social como empresarial, mas somente após a pandemia passar é que teremos uma maior previsibilidade para podermos planejar melhor o futuro”.

Evandro Cunha

Já o Presidente da Associação Comercial e Industrial de Macaé (Acim), Francisco Navega, disse que este momento é a grande oportunidade de enxergar o futuro. “A pandemia nos mostra que a direção do ‘novo normal’ vem trazendo a globalização desenfreada para o comércio local, numa co-responsabilidade de consumo responsável, trazendo a sustentabilidade das cidades. Compras locais, artesanatos locais, produção de alimentos locais, compras governamentais locais, nas três esferas, com um viés também tecnológico, oportunizando o mundo virtual, do off line para online, plataformas digitais junto às lojas físicas, atendendo os novos e antigos consumidores, lojas reinventando a oportunidade de trazer experiências novas, visual novo, conquistando públicos diversos, empresas responsáveis pela inserção da verdadeira responsabilidade social e com pegada ambiental com sua comunidade. Endividamentos menores, empresas focadas nas pessoas e não só em processos. Enfim, um jeito novo de se viver, um olhar diferenciado pelo local que vivemos e nos relacionamos. Colaboração e mutualidade, uma combinação perfeita. Que venha esse novo mundo. Juntos seremos um”, declarou o presidente da Acim.

Francisco Navega

O Teatrólogo e Professor Ricardo Meirelles frisou que sempre viveu em clima de isolamento. “Quanto à quarentena, ao longo da minha vida habituei-me a ficar impedido de sair. Desde a infância até a adolescência, devido as várias operações de ortopedia que fiz. Assim, exercitei a paciência no longo tempo de espera. Portanto, não é nenhuma novidade para mim. Vejo com alegria a solidariedade que ela despertou em quase todos nós, mas não acredito em grandes mudanças no comportamento social depois que a dita normalidade retornar”, disse Ricardo Meirelles.

Ricardo Meirelles

Para o empresário Marcelo Merrel Reid, ninguém está preparado para esse momento. Primeiramente, não estávamos preparados para este enfrentamento sem prazo para terminar até que se descubra uma vacina eficaz para combater este vírus. Mas algumas mudanças vieram e tivemos que nos adaptar, e talvez mudarmos a nossa forma de interagir com o mundo a partir de agora. No mundo empresarial, as reuniões virtuais, os trabalhos em home office que com certeza muitas empresas aditarão este sistema daqui para frente e, nas relações pessoais, também haverá as mudanças de hábitos, como higienização, uso de máscara e distanciamento social. O ser humano é um ser sociável e o que mais nos atinge neste momento é a saudade dos amigos, dos familiares, enfim, de poder dar um abraço de afeto e carinho em todos. Tivemos que desacelerar, pisar no freio e com certeza será o maior legado de aprendizagem que teremos daqui pra frente, fazer as coisas com mais calma, discernimento e termos mais capacidade de pensar e elaborar nossas vidas no pessoal e nas nossas atividades de trabalho”, pontuou.

Marcelo Merrel

O biólogo Alexandre Bezerra de Souza, pós-graduado em ciências biológicas, destacou que a pandemia deixará vários legados. “A pandemia vai, mas deixará como maior ensinamento de que o amor ao próximo e a natureza tem que ser priorizados. Temos que unir e realizar pequenas ações para melhorar a qualidade de vida do nosso município. Realizar atividade física não só por obrigação de nos mantermos saudáveis, e sim por gratidão, por estarmos em conexão com a natureza, família e amigos”, disse acrescentando que é necessário uma mudança de pensamento no sentindo de continuar usufruindo e explorando de forma sustentável o meio ambiente.

Alexandre Bezerra de Souza

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