Pais de alunos se unem para reivindicar retorno às aulas presenciais já

Sentido na pele as dificuldades de seus filhos com relação ao sistema on-line de ensino, inúmeros pais de alunos uniram seus anseios e suas vozes para reivindicar o retorno das aulas presenciais já. Nasce assim o Movimento Pais Pela Educação de Macaé, formado por responsáveis de crianças e adolescentes em idade escolar de Macaé. “Nosso Movimento surgiu de forma totalmente despretensiosa, através de grupos de escolas via WhatsApp, onde alguns pais e mães relataram as dificuldades dos seus filhos no sistema on-line de ensino”, revela uma das integrantes, Thatyane, que esclarece que todos os participantes se identificaram com os relatos apresentados e se uniram inicialmente num grupo do Telegram e em seguida criaram um Instagram.

“Não possuímos nenhum vínculo com políticos, escolas, empresários, sindicatos, somos apenas pais e mães que priorizamos a educação de nossos filhos”, declarou ela.

Thatyane conta que a conta do Instagram alcançou 1.200 seguidores em uma semana. Foi então que todos perceberam que mais de 1.200 famílias macaenses se identificavam com a sua causa: o retorno das aulas presenciais em escolas públicas e privadas, com protocolos de segurança. A conta de Instagram, controlada por duas mães, recebe diariamente relatos de pessoas contando suas dificuldades: mães de crianças com problemas psicológicos devido ao afastamento da escolas e dos amigos; adolescentes relatando suas dificuldades com ENEM e com depressão; mães de crianças autistas contando a impossibilidade dos seus filhos de aprender fora da rotina do ambiente escolar, mães de escolas municipais pedindo socorro porque seus filhos não tiveram aulas no ano passado; alunos de escolas públicas e particulares que passaram para o segundo ano e não foram alfabetizados; mães que precisam deixar seus filhos em creches clandestinas para poder trabalhar; dentre vários outros relatos.

Na ocasião, o grupo de pais elaborou uma petição solicitando o retorno escolar presencial e recolheram mais de mil assinaturas em curto prazo de tempo, por meio digital.
“No dia 9 de fevereiro de 2021 entregamos a petição em mãos ao prefeito Welberth Rezende, que foi bastante solícito em nos receber e demonstrou consideração com as razões do movimento”, relatou Thatyane.

Outra representante dos pais, Luiza, também informou que, no dia 10 de fevereiro, o movimento deu ciência formal do pleito social ao Ministério Público e aguarda designação de audiência pela Promotoria de Direito Difusos, que atualmente cuida da questão, nessa instituição.

No início da pandemia, a ciência recomendou o fechamento das escolas, para melhor avaliar a questão. Contudo, os estudos científicos mais atualizados indicam que as atividades escolares não possuem riscos maiores que as não escolares. Neste sentido, considerando o risco benefício da medida, a Ciência vem sendo categórica em recomendar o retorno imediato das aulas presenciais.

“É importante ressaltar que o movimento tomou o cuidado de ouvir diversos profissionais respeitados na cidade, como pediatras, psicólogos, infectologistas, advogados, engenheiros sanitaristas, entre outros, já que não é do interesse de nenhum pai e mãe responsável expor seus filhos a um risco extraordinário”, frisou Luiza.

A representante do Movimento Pais Pela Educação de Macaé, Thatyane, lembra que muitas cidades em todo o Brasil já retornaram e todos os integrantes acreditam que Macaé pode seguir o que vem acontecendo nas cidades do estado do Rio e determinar imediatamente o retorno presencial das aulas.

“O ensino remoto foi testado e reprovado por pais experientes e participativos. A Pedagogia afirma que esse método de ensino não foi formatado para crianças. Esse modelo não permite o efetivo acesso ao direito à educação das crianças”, explica Thatyane.

De acordo com ela, o movimento vem recebendo pesadas críticas de instituições sindicais dos professores. “A esse respeito é importante ressaltar que não somos contra os professores. Entretanto, o Direito indica que, na colisão de interesses, deve prevalecer o melhor interesse da criança. Costumamos mencionar no grupo, que o sindicato dos nossos filhos somos nós. Os tratados internacionais, a Constituição e o ECA encarregaram à família, ao Poder Público e a toda a sociedade de velar pela observância dos direitos das crianças e nós não vamos descansar, até que todas as crianças da cidade retornem aos bancos escolares, com os devidos cuidados”, declarou a representante dos pais macaenses.

Thatyane adianta também que, no momento, o grupo está trabalhando para colocar outdoors pela cidade e alcançar mais pais que possam conhecer a apoiar o Movimento.

E conclui: “Todas as escolas que foram abertas até o momento no país estão avançando com higiene e segurança. Macaé está ficando para trás e nossos filhos, netos, sobrinhos são os maiores prejudicados. Nivelando por baixo uma cidade que tem tudo para crescer.”

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