O papel do prefeito

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Prefeito de Macaé Dr. Aluízio dos Santos Júnior

Já ressaltamos anteriormente a importância das câmaras de vereadores e a necessidade dessas serem honestas e atuantes a favor das suas cidades. Quando isso não ocorre, para além do prejuízo do roubo propriamente dito, a orientação dos senhores parlamentares municipais por interesses próprios em detrimento do coletivo compromete a qualidade de vida e a urbanidade, como infelizmente assistimos em nossa cidade.

Entretanto, seguindo o modelo presidencialista vigente no nosso país, é inegável que o papel do Executivo é preponderante na aplicação das políticas e iniciativas de interesse da municipalidade. Em última instância, é o prefeito quem dá o tom da administração e do funcionamento dos serviços urbanos. Um Prefeito dedicado e aguerrido, com propostas claras em direção ao desenvolvimento urbano em bases sustentáveis, capaz de cobrar a participação de seus comandados nas políticas e ações governamentais, impõe um dinamismo que leva às conquistas de qualidade de vida que as cidades tanto necessitam.

Isso porque praticamente tudo que diz respeito ao nosso dia a dia é regulado pelas prefeituras. Lixo, esgoto, drenagem, comércio, trânsito, transporte público (etc…) e até segurança são, senão determinados, pelo menos fortemente influenciados pela administração municipal. E em última análise, a própria economia e os empregos das cidades são amplamente influenciados pela performance da prefeitura e do seu mandatário.

Se uma cidade é limpa, tem urbanidade, se os serviços municipais funcionam, enfim, haverá menores custos administrativos, menores perdas e atrasos, melhor qualidade de vida para os funcionários. Ainda mais se essa cidade atrair outras empresas da cadeia produtiva na qual a empresa estiver inserida, como é o caso da cadeia produtiva do petróleo que Macaé afortunadamente sedia.

Mas, nem uma criança inocente acredita que as empresas aqui localizadas estão em Macaé por qualidades intrínsecas à nossa realidade enquanto cidade. Elas estão aqui por causa do porto da Imbetiba e das atividades da Petrobrás. Podemos prever que NENHUMA ficaria aqui atraída pelos predicados de Macaé em decorrência da urbanidade entregue pela administração pública local, caso a Petrobrás decidisse ir embora.

Macaé sofre inundações recorrentes, tem um trânsito inacreditavelmente ruim para uma cidade de seu tamanho (principalmente quando uma carreta fica enganchada na travessia da linha de trem), não tem tratamento de esgoto minimante condizente (resultando num rio e numa lagoa deteriorados por esgoto), tem sérios problemas de segurança, etc. e etc… Tudo isso, paradoxalmente, num município que arrecadou mais de R$ 2 bilhões (!!!!) no ano passado.

Enquanto isso, em vez de assistirmos uma prefeitura ativa e empenhada, com um prefeito extremamente dedicado em sanar os inúmeros problemas da cidade, nosso chefe de executivo… opera cabeças! Nada contra médicos nem neurocirurgiões, mas enquanto Macaé abusa da sorte, vai acumulando problemas e vive na expectativa do rumo que a Petrobrás vai tomar. Rezando que seja continuar por aqui. Quanto aos problemas correntes… bem, enquanto prefeito, o nosso é um grande médico.

Parece que nosso prefeito não tem muito tempo para resolver essas questiúnculas.

Não se trata aqui de questionar a honestidade do alcaide. Até porque isso não é senão requisito básico. Entretanto, Macaé acaba de encarar uma das maiores enchentes dos últimos tempos. Mas não se vê investimentos em infraestrutura de nenhuma natureza no município (só asfalto novo que não se sabe quanto vai durar). Tivemos há alguns meses atrás um verdadeiro faroeste na cidade decorrente da disputa dos pontos de venda de drogas do Lagomar. Mas não se vê nenhum movimento de resgate social desse bairro, resultante de um enorme processo de invasão. A região serrana que já vinha sofrendo um acentuado esvaziamento sofreu barbaridade com a chuva. Mas não se vê nenhuma obra preventiva nem investimento para aproveitar o potencial turístico da região. Há vultuosos investimentos empresariais mirando a cidade de Macaé. Mas não se vê empenho institucional para garantir a vinda de empregos. A lagoa de Imboassica é uma latrina gigante e se tornou um problema para a drenagem devido a proibição da abertura de sua barra. Mas não se vê qualquer empenho na busca de uma solução técnica para ressuscitar a lagoa e permitir que a sua barra seja aberta.

Há inúmeros casos de médicos bons administradores. Isso porque eles souberam delegar responsabilidades e absorver conhecimento de áreas não afins com sua atividade profissional. Não parece ser o caso de Aluízio.

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