Entre as maravilhas da natureza que compõem o Parque Nacional de Jurubatiba, a Lagoa de Jurubatiba se rompeu no final de semana devido às fortes chuvas - Divulgação

As Lagoas de Jurubatiba e de Imboassica transbordaram devido às chuvas, inundando os locais e causando danos ao meio ambiente

Devido as fortes chuvas que caíram em Macaé no final de semana, a Lagoa de Imboassica não suportou o volume de água e inundou alguns locais urbanizados. A solução encontrada foi a abertura da barra da lagoa visando seu esvaziamento e causando um significativo impacto ambiental. Essa abertura seguiu o rompimento natural da Lagoa de Jurubatiba que também não suportou o volume de água. A Lagoa de Jurubatiba integra o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, que completou recentemente 22 anos de criação. Pesquisadores da região ainda não conseguem dimensionar os efeitos regionais desse impacto para a vida marinha.

O Professor Dr. Rodrigo Lemes Martins (Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade – NUPEM – UFRJ / Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)), explica que essas aberturas de barras de lagoas eram utilizadas, no passado, para manejo da produção de recursos pesqueiros. Abriam de maneira irregular, para promover um fluxo de água doce que faz com que larvas de peixes, e outros animais como camarões, entrem na esperança de encontrarem um mangue e completarem seu desenvolvimento. Esses peixes cresciam então dentro das lagoas em situação confinada, pois as barras logo se restabeleciam. Uma vez rompida, a barra voltava a se romper mais facilmente quando as águas atingiam altos volumes. De forma natural a barra abria em intervalos mais ou menos regulares, de quatro a sete anos.

“No entanto, recentemente, motivos têm levado as barras a abrirem mais vezes. Como por exemplo, o fato dessas barras demorarem a restabelecer de forma consistente, o cenário de mudanças climáticas, que tem afetado a concentração de chuvas em curtos períodos, a área de recarga e captação de água, que se encontra impermeabilizada pelas construções humanas (como exemplo a ampliação do terminal Cabiúnas e de pátios e edificações na área da Lagoa Imboassica), a ocorrência de aterros na área da lagoa (como a do bairro Mirante da Lagoa)”, informou o Biólogo, esclarecendo, ainda, que uma vez que essa água é despejada no mar, diversos organismos vegetais e animais são jogados para o oceano. Os poucos que ficam recolonizam na lagoa, porém, como sistema é, de certa forma, reiniciado, existe uma chance maior da entrada de espécies exóticas e invasoras.
Ele completa explicando que, caso haja presença de esgoto, o crescimento de algumas espécies de crescimento rápido, como as taboas, é acelerado. Estas passam a dominar o espaço, acabando por diminuir a diversidade.

O Professor Dr. Rodrigo Lemes Martins, do NUPEM – UFRJ, explica o que acontece com essas aberturas de barras de lagoas – Divulgação

“Por fim, algumas dessas espécies, de alta produção e crescimento rápido, dominam o território, reduzindo o espelho d’água e a profundidade das lagoas. Essas lagoas se tornam cada vez mais incapazes de conter o volume de água e os transbordamentos e rompimentos cada vez mais frequente”, pontuou.

Merece lembrar aqui a importância do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, que é considerado uma das unidades de conservação com a maior área de restinga contínua do país. O Parque é composto por 44km de praias e 18 lagoas costeiras distribuídas nos municípios de Macaé (1%), Carapebus (34%) e Quissamã (65%). Esses ambientes são de rara beleza e de grande interesse ecológico, servindo de abrigo para diversas espécies de fauna e flora das restingas que estão em risco de extinção.

Com relação a Lagoa de Imboassica, a cidade que cresceu e cresce no seu entorno precisa ser pensada com o entendimento de que ela ocupou a restinga e que os processos que ocorrem no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, quando compreendidos, podem auxiliar na melhor qualidade de vida dos moradores da cidade, garantindo a sobrevivência de um dos cartões postais mais bonitos da cidade. Dentre os principais desafios para as próximas gestões está garantir a preservação da área de recarga das lagoas, com base nos dados obtidos em pesquisas de mais de duas décadas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here