Professora e Historiadora Patrícia Barboza ressalta que a pandemia veio mostrar que nenhuma tecnologia substitui o professor - Divulgação

Lembrados como ‘heróis’ das salas de aula, os professores merecem as homenagens de hoje pelo trabalho importante ao desenvolvimento humano

No dia 15 de outubro, o Dia do Professor é comemorado no Brasil. Por ter um papel essencial para a existência da sociedade, o professor merece ser exaltado sempre que possível, principalmente no ambiente escolar, e nada mais justo que uma data para que seja celebrado o seu valor.

A Pofessora e Historiadora Patrícia Barboza ressalta que ser professor é muito mais que exercer uma profissão, dar aulas, explicar ou corrigir provas.”Ser professor exige muito esforço, preparo, pesquisa, conhecimento, tempo e dedicação e, tudo isso, somado ao compromisso e comprometimento! A pandemia nos mostrou que nenhuma tecnologia substitui o professor! A parceria com a família foi fundamental nesse período pandêmico, em meio as dúvidas, aflições e até mesmo aos memes, descobrimos que o amor a docência pode até nos moldar aos novos desafios, porém, o saldo final sempre será o afeto, carinho e o amor que nos une. Eu escolhi ensinar!”, declarou a professora.

 

Professor vence desafios em tempos de pandemia

A pandemia chegou trancando todo mundo dentro de casa. As escolas também obedeceram a ordem de recolher e fecharam suas portas. E agora, como proceder? Em tempos de isolamento, a rotina de toda a comunidade escolar mudou drasticamente e repentinamente. Escolas, educadores, pais e alunos tiveram que passar do ensino presencial para o ensino a distância sem muito tempo de preparação. O professor teve que se reiventar e enfrentar o enorme desafio: transmitir conhecimentos com eficiência, através de vídeoconferências.

A Professora Larissa Vieira Teodoro, do 4º ano do Ensino Fundamental do Colégio Ativo, ressalta que ao iniciar um ano letivo, o professor recebe os alunos e, aos poucos, vão se conhecendo, se adaptando e estabelecendo laços de amizade e carinho. “Mas este ano foi diferente, mal tivemos tempo de nos entrosarmos e tivemos que nos afastar.

Começou então um momento muito delicado, cheio de interrogações, angústias e incertezas. Vimos a necessidade de enfrentar os desafios que começaram a surgir”, revela a professora Larissa, explicando que todo o corpo docente da escola passou a se preparar para o ensino remoto.
E prossegue: “O medo diante das câmeras, a timidez de se expor no universo digital, a falta de habilidade com as tecnologias, a internet que cai, o caminhão do gás que resolveu passar bem na hora da gravação, grava vídeo, deleta vídeo, edita vídeo… Uma sensação de que tudo está caótico, um sofrimento sem fim! Por vezes, a vontade era de desistir.

O novo formato precisava ser atraente e não podia ser cansativo, mas o que mais incomodava era a inviabilidade de colocar a mão no ombro do meu aluno e tranquilizá-lo diante alguma dificuldade. Como iria “alcançar” o meu aluno que estava tão distante?”, frisou emocionada a mestre, acrescentando que com esse sentimento iniciou a nova atividade.

Mas o que era incerteza passou a imperar um sentimento de vitória. “Comecei as aulas on-line, mãos trêmulas, voz embargada, que medo, que vergonha! Mas quando a aula terminou, ufa! Que alívio! Deu tudo certo! Aos poucos, o que era desafio, se tornou natural. Os alunos estavam tranquilos, se mostravam felizes e isso me deixava mais confiante. Fomos nos adaptando, descobrindo estratégias e conseguimos nos aproximar. Aos poucos, nos tornamos íntimos, próximos e amigos. As brincadeiras, as risadas, os recadinhos carinhosos e bilhetinhos começaram a chegar. Ah, que alegria! Agora sim, tínhamos uma sala de aula. Mais do que nunca, nós professores, precisamos exercer a empatia”, disse.

Professora Larissa Vieira Teodoro vencendo o desafio de ensinar em aulas online – Divulgação

Outro desafio enfrenta a professora: é a avaliação dos alunos neste novo formato online. “Como avaliar o aproveitamento dos alunos, como ser justa diante de tantas dificuldades e barreiras? Nosso olhar precisou ser mais apurado e mais acolhedor. Nas minhas turmas, percebo com grande satisfação, a parceria das famílias com a escola. Temos obtido ótimos resultados, percebemos nossas crianças se desenvolvendo, aprendendo e ficando mais seguras diante desses desafios. Sem essa parceria, não seria possível alcançarmos bons resultados”, concluiu a professora.

Já a Professora de Educação Infantil – Pré II do Centro Educacional Carvalho (CEC), Flávia Maia, afirma que ser professora no modo convencional já não era fácil e, hoje, em meio ao caos dessa pandemia, tem sido desafiador. “Ninguém estava preparado ou teve uma formação específica para lidar com tantas informações diferentes e situações atípicas. Tivemos uma quebra de paradigmas, a ruptura de um sistema socioeducativo em que os nossos alunos, muitos sem grandes perspectivas dentro da educação, tiveram que se adaptar de forma segregada à essa educação remota, híbrida”, frisando que o papel do professor nesse momento tem sido fundamental para fomentar esse processo de ensino-aprendizagem.

Professora Flávia promove aulas temáticas para ajudar na aprendizagem – Divulgação

A professora Flávia continuou esclarecendo que “estamos nos doando e dedicando ao máximo com o único objetivo de continuar incentivando, acolhendo e desenvolvendo o nosso aluno mesmo à distância, fazendo com que ele se sinta inserido e atuante neste ano letivo, fornecendo e oferecendo materiais e diferentes formas de aprendizagens. Ser professora é uma opção, uma profissão, onde a escolha feita, então, tem que ter valor, respeito e muito amor. Essa tríade faz que tudo faça valer à pena! O amor precisa imperar nas ações, o respeito precisa servir de exemplo e o valor é agregado ao que se faz na formação humana dentro das vertentes: psico-socio-educativa para a construção do conhecimento que é permanente”.

 

 

Dia do Professor

No dia 15 de outubro de 1827, Dom Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados.A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima – caso tivesse sido cumprida.
Discurso do Presidente Getúlio Vargas em cerimônia para professores em dezembro de 1943. O primeiro Dia do Professor seria criado apenas 4 anos depois. Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor.

Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.

O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia de 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça – inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pelas frases ” Professor é profissão. Educador é missão” e “Em Educação, não avançar já é retroceder”. Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a ideia estava lançada.
A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: “Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.

 

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