Padre Lício de Araújo do Vale, estudioso do tema, conduziu a palestra na noite da última sexta-feira (14)

Na noite da última sexta-feira (14), a comunidade paroquial de Santo Antônio se reuniu para debater sobre um tema ainda considerado tabu, mas tão atual nos dias de hoje: o suicídio. Após celebrar a Missa das 19h, o padre Lício de Araújo do Vale, autor do livro “E foram deixados pra trás – Uma reflexão sobre o fenômeno do suicídio”, ministrou a palestra.

O livro, na verdade, é a história de vida do sacerdote. Quando tinha 13 anos, seu pai, Elias Pereira Vale, tirou a própria vida. A notícia chegou disfarçada. Disseram que ele, militar e músico da Polícia Militar do Estado de São Paulo, havia sido atropelado por um caminhão. Foi a versão que o menino, agora padre Lício de Araújo Vale, carregou até os 18 anos, quando lhe contaram a verdade.

Sacerdote desde 1983, e ex-secretário executivo do setor Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Lício explicou durante a palestra sobre o que leva uma pessoa a cometer o suicídio, apresentando dados da Organização Mundial de Saúde, como por exemplo que a cada três segundos uma pessoa atenta contra a própria vida no planeta.

A reflexão sobre o suicídio do pai e sobre as consequências da perda dele para a família é mais do que um socorro de autoajuda para pessoas que enfrentam a mesma situação. Padre Lício agrega a sua experiência ao trabalho pastoral, lembrando como superou ou ainda tenta superar uma tragédia pessoal.

Ubirajara Nascimento/Pascom Santo Antônio

“Inicialmente odiei o gesto do pai e demorei a perdoá-lo por ele ter tirado a própria vida, abandonando aqueles que o amavam. A terapia foi importante nessa caminhada, mas o que parece ter sido essencial foi a busca de uma explicação na misericórdia divina”, disse.

Após a palestra, o padre abriu um espaço para perguntas e depoimentos dos paroquianos. E um dos temas abordados durante a palestra foi sobre como a Igreja trata a questão do suicídio. O sacerdote respondeu a um questionamento que frequentemente é feito quando se trata sobre o assunto: “Quem se mata vai para o inferno?” Através de passagens bíblicas e trechos do Catecismo da Igreja Católica, o sacerdote explicou a posição da Igreja.

“O suicídio é um pecado grave. Portanto, ninguém deve pensar que a pessoa que se suicidou esteja condenada por Deus. Os caminhos de Sua misericórdia são desconhecidos de nós. O Catecismo manda rezar por aqueles que se suicidaram”, explicou.

Após a palestra, o sacerdote participou de uma sessão de autógrafos e o livro “E foram deixados pra trás – Uma reflexão sobre o fenômeno do suicídio” pode ser adquirido na livraria paroquial e também pela internet.

Encontro abre caminho para a criação de nova pastoral

Um dia antes da palestra, na quinta-feira (13), o padre Lício de Araújo participou de uma reunião com um grupo da paróquia, que se encontra periodicamente para estudar o assunto. Foi um dos primeiros passos para que futuramente a Paróquia Santo Antônio crie uma pastoral de ajuda e prevenção ao suicídio. O grupo conta com a presença de psicólogos e profissionais da área da saúde.

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