Desde meados de março, as aulas vêm acontecendo remotamente nas redes pública e privada de ensino - Divulgação

Nesse cenário pandêmico, é imprescindível a parceria entre famílias e escolas no ensino à distância dos filhos

Prestes ao fechamento do ano letivo em meio a essa nova era chamada de “novo normal”, em que as escolas precisaram fechar suas portas temporariamente em virtude do isolamento social, principal medida no enfrentamento à disseminação do coronavírus, comunidade escolar macaense reforça a importância do apoio dos pais e familiares às escolas e às atividades pedagógicas nesse tempo de educação remota.

Se o apoio familiar era fundamental antes da pandemia da COVID-19, com a paralisação das aulas, a necessidade da relação ficou ainda mais em evidência. É natural que frente ao cenário de bruscas mudanças e inúmeras readaptações os familiares se sintam pressionados e desorientados, entretanto, ao longo de quase oito meses desse tempo pandêmico, a parceria foi peculiar para o prosseguimento dos estudos das crianças e jovens.

Segundo a diretora titular do Colégio de Aplicação (CAp), professora Wanessa Leal, esse ano atípico ficará para sempre registrado na história da humanidade e nas famílias de um modo geral. “Em 2020 os desafios postos na saúde trouxeram para educação uma grande necessidade de reinventar o processo educacional. Em casa, as crianças e jovens tiveram que se adaptar a uma nova forma de aprendizagem. Nesse contexto, a família teve a importante tarefa de se tornar uma parceira mais efetiva da escola, conduzindo o processo educativo de forma mais intensa e presente”, ressalta.

Para Wanessa, os desafios desse momento ainda são enormes e as perguntas ainda demoram encontrar suas respostas. “Algo se pode dizer: Todos nós adquirimos habilidades úteis para toda a vida, ensinamentos que não podem ser encontrados em nenhum livro, pois somente a convivência pode nos ofertar. Tempos difíceis, mas podemos dizer que nos tornamos pessoas mais fortes”, acredita.

O professor de ciências e biologia nos ensinos fundamental e médio nas redes pública e privada, Marcus Vinícius Ferreira, acredita que não existe separação de objetivos no que se refere à educação das crianças e jovens. “Acreditando que os sistemas de ensino, as secretarias de educação e as escolas tenham mapeadas as condições de acesso dos estudantes aos recursos tecnológicos, e em seguida tenham criado estratégias de ensino e aprendizagem que contemplem a todos, cabe aos pais ou responsáveis acompanhar, orientar e participar mais do que nunca dessa nova reconfiguração da educação”, explicou. E completa: “Para mim a palavra-chave se chama envolvimento, pois assim, mesmo diante das diversas dificuldades de acesso, conhecimento ou tempo, a família será capaz de motivar o aluno nos estudos e realizações das atividades propostas”, disse.

Neste sentido, não se limitando somente ao ambiente escolar e aos seus espaços, foi vital e seguirá sendo enquanto perdurar a pandemia da COVID-19, a troca entre as famílias e escolas. Se têm sido difícil, ao mesmo tempo, também vem sendo satisfatório, principalmente, para os filhos que passaram a ter o acolhimento e a ajuda dos pais nas tarefas escolares.

Para a orientadora educacional do ensino fundamental, Cláudia Sanches, os pais sempre tiveram um papel crucial na educação dos filhos, tanto no apoio à educação sistemática quanto na responsabilidade pela educação em valores. Mas, as exigências do mundo pós-moderno, fez com que a maioria delegasse para a escola esses papéis. “Com a pandemia, os responsáveis se viram não só tendo que dar atenção ao que lhe cabem, mas tendo que dar assistência maior ao processo ensino-aprendizagem. Alguns estão literalmente largando de mão, pois lhes faltavam o cumprimento das suas primeiras grandes funções, que fará uma terceira; os que já estavam próximos dos filhos tiveram um momento de desequilíbrio, mas estão conseguindo dar o apoio que os filhos necessitam; e os pais perceberam o distanciamento total que tinham dos filhos, e a confrontação com a realidade de forma tão brusca, repentina e emergencial proporcionou uma tomada de consciência e, consequentemente, a melhoria das relações com os mesmos”, pontua.

Segundo Cláudia, a relação dos responsáveis com os seus filhos têm que ser permeada pela atenção, pelo afeto e compromisso. “A pandemia colocou uma lente de aumento para essa necessidade, já que a criança só consegue aprender em um ambiente onde se sinta respeitada e valorizada, relação “educação do afeto”, como é chamada”, salienta.

De acordo com a orientadora educacional, os responsáveis, mesmo que não saibam disso conceitualmente, intuitivamente aplicam essa amorosidade, conseguindo perceber que os seus filhos estão aprendendo mesmo que os mesmos (os responsáveis), não possuam muita habilidade, didática ou conhecimento dos conteúdos. “A gentileza no trato é um limpador de rio, e ele estando limpo, a água flui, sem transbordar quando a chuva aperta”, concluiu.

 

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