Vereadores acirraram o discurso durante a sessão ordinária da Câmara na manhã de ontem - Foto Tiago Ferreira CMM

Sessão confusa fortalece acirramento de ânimos por antecipação de processo eleitoral

Conturbada e bastante atípica, a sessão ordinária desta terça-feira (24) da Câmara de Vereadores, demonstra de forma clara o descontrole do parlamento municipal como um efeito da decisão antecipada do próprio Legislativo, ao iniciar de forma antecipada o processo pré-eleitoral que definirá a sucessão da prefeitura e a nova composição do plenário.

Com pré-candidaturas a prefeito e vice definidas, e formatação de partidos para enquadrar aliados, o parlamento liderado pelo presidente Dr. Eduardo Cardoso (PPS) perdeu o compasso ontem, ao tentar descaracterizar um dos principais projetos assinados pelo prefeito Dr. Aluízio, o Bolsa Falta Zero e Bolsa Ideb, na tentativa de encurralar o governo por ameaça de debandada de membros da base “da situação”, para elevar o bloco de oposição.

Em tramitação há quase três meses nas comissões da Casa, o projeto 011/2019 que propõe bonificação salarial para os servidores da Educação que cumprirem integralmente a presença nas escolas durante o ano letivo, e obter o aumento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), foi o pano de fundo do “convite” feito pela Câmara, atendido pelo secretário municipal de Educação, Guto Garcia.

O descontrole da Casa ficou logo evidente em função da confusão do próprio plenário em compreender qual a função representada por Guto, que é vereador licenciado e também pré-candidato a prefeito, na sessão ordinária da Câmara.

Inicialmente prevista para ocupar apenas os 40 minutos do grande expediente, a presença de Guto pautou as mais de duas horas da sessão da Câmara de ontem, extrapolando o prazo regimental, atropelando a pauta de votação da Casa, inclusive, do próprio projeto.
De imediato, os vereadores Marcel Silvano (PT), Maxwell Vaz (SD) e Marvel Maillet (REDE) criticaram a liberdade da fala de Guto, garantida pelo presidente Dr. Eduardo (PPS), mesmo com diversas objeções do bloco de oposição.

Apesar da pauta do “convite” ser o projeto assinado pelo prefeito, a sessão transcorreu como uma verdadeira sabatina contra Guto, que acabou virando alvo dos ataques de membros do bloco de oposição e até de aliados do governo, descontentes com a redução de espaço no quadro do cargo de assessorias do Executivo.

E pelo encerramento da sessão desta terça-feira (24), não restam dúvidas de que a reunião de quarta-feira (25), também será com discursos políticos pautados pela antecipação das estratégias eleitorais, que só deveriam começar no ano que vem.

Revolta

Antes da confusão generalizada provocada pela presença de Guto, a sessão começou tumultuada com uma fala do ex-líder de governo, vereador Márcio Bittencourt (MDB), ao declarar que ele e os vereadores Cesinha (PROS) e Val Barbeiro (PHS) migraram para a oposição.

Indicações políticas de Márcio perderam espaço no quadro de assessores do governo nesta semana, após confusão provocada por fake news que circulou há cerca de 15 dias.
Val se pronunciou em plenário, afirmando que segue com a sua identificação com o governo, mas sem definir previamente a orientação de voto.

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