Turma de medicina da UFRJ Macaé continua sem respostas após inúmeras reuniões da coordenação

De acordo com os 30 alunos, eles já possuem 81% da carga horária cumprida no curso, o que ultrapassa a mínima de 75% estabelecida pela MP 34/2020 para atuação

 

Universitários do último período do curso de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) clamam pela antecipação da formatura diante da pandemia do coronavírus em Macaé, para conseguirem atuar na linha de frente nos hospitais.

Com o seu campus situado na Cidade Universitária, localizada na rua Aluízio da Silva Gomes, número 50, no bairro Novo Cavaleiros, os alunos alegam estarem a 4 meses da formação, após terem cursado 5 anos e meio do curso, além de possuírem todas as condições legais para antecipação da formatura, segundo a medida provisória de número 934/2020 divulgada no dia 1º de abril pelo Governo Federal.

 

Segundo Bárbara Oliveira, universitária, a próxima turma de medicina a se formar possui 30 alunos, o que cooperaria expressivamente nesse atendimento diante da cidade que, até o momento, registra 84 casos confirmados por COVID-19, 47 casos de pessoas que se recuperaram da doença e 8 óbitos.

“Apesar de toda inexperiência inerente de um recém-formado, não somos despreparados, temos a formação de uma das melhores universidades do país e, podemos sim, fortalecer, essa linha de frente com profissionais mais experientes. Além disso, houve processo seletivo emergencial para médicos e as vagas não foram todas preenchidas, o que torna a situação ainda mais emergente”, ressalta Bárbara.

Para o Conselho Federal de Medicina (CFM), a antecipação da formatura de estudantes de medicina que concluíram, no mínimo, 75% da carga horário do internato “não traz benefícios evidentes para o atendimento”. O posicionamento, no caso, é contra ao o que estabelece a MP nº 934/2020.

De acordo com os alunos, a coordenação do campus de Macaé se mostrou contra essa decisão e participou de uma reunião com a faculdade de medicina no campus da UFRJ no estado do Rio de Janeiro. Após essa reunião, a coordenadora pediu para aguardarmos que a decisão seria informada pela reitoria, o que não aconteceu até o momento.

“Na verdade, a reitora apenas acatou o que a direção do campus de Macaé decidiu. Tiveram diversas reuniões no pólo de Macaé para o posicionamento e os alunos da turma não conseguiram participar de nenhuma para expôr seus argumentos após diversas tentativas. No atual momento, temos a decisão contrária da nossa unidade e recorremos com um processo administrativo ao Conselho de Ensino de Graduação (CEG) da universidade”, pontuam.

“O principal motivo de recorrermos é por estarmos de acordo com os dispositivos legais para formarmos. A MP solicita o mínimo de 75 % de carga horária concluída e já temos 81%. A maioria da turma têm interesse na antecipação, mas uma pequena parcela gostaria de concluir o currículo com os demais colegas de outros períodos após a pandemia. A decisão da universidade não obriga todos os alunos a se formarem, mas daria a opção de escolha para àqueles que querem ajudar nesse momento de calamidade pública”, revelam.

Vale lembrar que, outros países como Estados Unidos e Itália permitiram essa antecipação da formatura diante do crescimento desacerbado de pessoas infectadas pela doença, originando num avalanche de óbitos. E, várias universidades em diferentes regiões do Brasil, aderiram à MP e já têm os seus futuros médicos atuando nos hospitais frente a essa crise sanitária mundial, auxiliando, ajudando e salvando vidas.