A história desse monumento à saúde macaense inicia-se com o espírito bondoso de um simples português, Antônio Joaquim d’Andrade. Vindo de Portugal em meados dos oitocentos, iniciou em nossa cidade um pequeno negócio vendendo cuscuz, prato feito com farinha de milho e peixe que era muito apreciado pelos moradores daquela época. Essa atividade rendeu ao moço o apelido de “Cusculeiro” que, com pequena alteração, começou a utiliza-lo oficialmente em seu nome passando a chamar-se Antônio Joaquim d’Andrade Casculeiro.
Pois é minhas amigas e meus amigos, Casculeiro, ao longo de sua vida, amealhou uma boa quantidade de dinheiro e quando estava no fim da vida, fez um testamento que, em rápidas palavras, deixava a quantia de 2 contos de réis aplicados no Banco do Brasil a juros da época para que se iniciasse a construção de uma Casa de Caridade para serem recebidos os pobres e necessitados de nossa Macaé. Porém, havia uma cláusula que esse feito deveria ocorrer num prazo de 10 anos, caso contrário, esse dinheiro deveria ser enviado a Portugal para um sobrinho.
Casculeiro veio a falecer no fim de 1862 e seu testamento ficou esquecido por um bom tempo até que o tabelião da cidade, Polycarpo Francisco de Vasconcellos, deu ciência ao juiz recém empossado em nossa cidade: Dr. João Álvares de Siqueira Bueno, ou apenas, Dr. Bueno.
Dr. Bueno, em 07 de setembro de 1867 criou uma comissão e de bate e pronto iniciou uma grande movimentação na cidade para que o sonho de Casculeiro se tornasse realidade. Os 2 dois contos de réis tinham rendido e chegaram ao montante de três contos, cento e cinquenta e seis mil, seiscentos e oitenta réis mas estavam longe de ser suficientes para a construção da Casa de Caridade da magnitude que Casculeiro almejou.
Quermesses, leilões, contribuições, peças no Santa Isabel, doações dos figurões da cidade, dos figurões fora dela, investimento do governo da Província do Rio de Janeiro e as obras seguiam. Claro que muitas dificuldades houveram ao longo do caminho até que no dia 1 de maio de 1871 a nossa Casa de Caridade foi oficialmente inaugurada.
O prédio não estava totalmente concluído, o hospital ainda não havia atendido o seu primeiro paciente, mas estava apto a funcionar e estava oficialmente inaugurado.
Pra variar um pouquinho, houve um imbróglio com relação a qual das irmandades da cidade deveria administrar o novo espaço e isso perdurou por quase um ano até que por decisão do governo da Província foi determinado que se criasse uma nova Irmandade para que se ocupasse da missão: a Irmandade São João Batista…mas daqui pra frente já é outra história que contaremos em outro momento.
Fica aqui a nossa gratidão ao tão pouco falado Casculeiro e ao Dr. Bueno que se empenhou de forma muito aguerrida à essa tarefa.
Viva o HOSPITAL SÃO JOÃO BATISTA…lugar que eu e muitos macaenses nasceram.
PARABÉNS A TODOS OS TRABALHODORES PELO PRIMEIRO DE MAIO!!!
Em tempo: os principais personagens dessa história são homenageados em nossas ruas. A Rua Casculeiro é uma pequena rua que fica paralela à Av. Rui Barbosa atrás do atual Supermarket (antigo Costa 1000) e a Rua Dr. Bueno é uma das mais importantes vias que temos de ligação entre a Imbetiba e o Centro.
Grande abraço a todos e até a próxima!
Fontes:
> Livro “Coisas e Gente da Velha Macaé” de Antonio Alvarez Parada;
> Livro “Histórias da Velha Macaé” de Antonio Alvarez Parada; e
> Livros “Histórias Curtas e Antigas de Macaé” volumes I e II de Antonio Alvarez Parada.
Fotos:
1 – Hospital São João Batista em 1935 – fonte: internet;
2 – Hospital São João Batista atualmente – fonte: google maps; e
3 – Desenho de Casculeiro feito por Tonito em seu livro “Coisas e Gente da Velha Macaé”.
Fonte: Facebook – Felipe Passos.

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