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Lista de problemas cresce no Jardim Carioca II

Cansados de conviver com o abandono, moradores voltam a reivindicar ao poder público as melhorias

Em 04/09/2017 às 12h12


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Moradores aguardam há mais de uma década pela urbanização de loteamento na área norte da cidade Moradores aguardam há mais de uma década pela urbanização de loteamento na área norte da cidade
"A comunidade não pode se acostumar à decadência e à estagnação". Em meio a tantos problemas, os moradores do Jardim Carioca II procuram por uma solução. A lista de problemas é tanta que eles já não sabem mais a quem recorrer em busca de solução. 

São anos esperando por melhorias, essas que nunca chegaram. Entra ano, muda governo, e até agora a única certeza de quem mora ali é que a comunidade vive em completo estado de abandono.

Essa semana, o Bairros em Debate esteve visitando o local novamente, onde percorreu as ruas e conversou com a população mais uma vez. Transporte público insuficiente, falta de limpeza e alagamentos são apenas alguns dos problemas relatados pelos moradores, ressaltando que estão cansados de promessas e cobram do poder público solução para os problemas que fazem parte do cotidiano do bairro. 

"A gente procura o jornal para pedir uma força para ver se assim as autoridades olham por nós. A situação aqui é crítica, principalmente quando chove. Nada mudou nos últimos anos. Continua tudo do mesmo jeito", lamenta Adriano.
O Jardim Carioca II fica localizado às margens do Canal Macaé-Campos, a poucos minutos do Centro de Convenções e do Aeroporto de Macaé. A comunidade foi criada há mais de 10 anos e atualmente estima-se que vivam cerca de 800 famílias ali. 

Falta de pavimentação e alagamentos

Se o acesso às ruas internas do bairro é ruim em dias de sol, quando chove, entrar e sair do bairro é praticamente uma missão impossível. Os moradores contam que basta chover poucos minutos para a situação ficar caótica. 

Em dias de chuva, moradores enfrentam a lama para entrar e sair de casa



Como as ruas não têm asfalto, diversos buracos vão se formando nas pistas de barro. Os moradores dizem que, de vez em quando, fazem o serviço de manutenção, tapando os desníveis por conta própria. 


"Enquanto bairros que já são pavimentados recebem asfalto novo, nós aqui estamos esquecidos pelo poder público. Tem época que chove direto que a gente não consegue sair de casa. É sempre um transtorno. Aqui não entra transporte público e não tem escola, ou seja, somos obrigados a andar até a principal. Só que para isso temos que enfrentar esse lamaçal. É desumano", diz uma moradora que não quis ser identificada.

"Quando não é a lama o problema, é a poeira. Meu filho tem asma e sofre muito com isso. É porque a minha casa aqui é própria, a vontade mesmo é de abandonar e ir embora. Não vejo solução para o bairro", lamenta.

Crianças e jovens ficam pelas ruas

Quando se trata de lazer no Jardim Carioca II, o direito parece ter ficado apenas na Constituição Brasileira de 1988. De acordo com o § 3º do Art. 217, cabe ao Poder Público incentivar o lazer, como forma de promoção social. Mesmo com a expansão do bairro nos últimos anos, a população não conta com uma praça ou um simples campo de futebol para as crianças e jovens.

Jovens não contam com praça no bairro e entorno 


De acordo com os moradores, a única opção das crianças e adolescentes é a rua. A nossa equipe encontrou algumas brincando entre os carros, podendo ser atropeladas.

"A praça mais próxima fica no Aeroporto. Como a gente vai deixar nossos filhos irem sozinhos para lá, atravessar a rua movimentada. Não tem como. É preferível deixar brincando na rua, perto de casa. Nosso sonho é ter uma praça com quadra, parquinho, bancos. A população sente falta de ter um espaço para convívio social", diz a moradora.

Transporte ainda é alvo de reclamações

A maioria dos moradores utiliza o transporte público. Apesar de sempre ser incentivado o uso do ônibus, até mesmo como forma de melhorar a mobilidade e reduzir a emissão de gases poluentes, em Macaé isso acaba sendo cansativo. 

Muitos moradores acabam andando até o Terminal Cehab 


"Não é de hoje que a gente implora que melhorem o transporte no bairro. Ele só passa de uma em uma hora. Ficamos no ponto um tempão, correndo o risco de sermos assaltados enquanto isso. Várias pessoas já foram vítimas", diz a moradora.
Ela reclama também da falta de cobertura nos pontos. "Enquanto a Linha Azul, composta na maioria por invasões, recebe estrutura, nós que pagamos impostos ficamos debaixo de sol e chuva, sem local para sentar. É cansativo", reclama.

Muita gente acaba preferindo andar até o Terminal Cehab, que fica a cerca de um quilômetro do loteamento. "Se o transporte é ruim durante a semana, sábado e domingo é pior ainda. Algumas pessoas preferem ir até o terminal que tem mais opção de linhas e horários. O problema é o risco de ir caminhando até lá", lamenta.

No final de 2015, a prefeitura disse que o aumento na frota da linha A63 (Terminal Cehab x Vila Badejo - via Nupem/UFRJ) dependeria do crescimento da demanda do local. No entanto, alternativas seriam estudadas para melhoria constante no atendimento ao bairro. "Promessa que não foi cumprida", denuncia a moradora. 

Mosquitos geram reclamações

A proliferação de mosquitos no bairro é algo que não tem solução. Apesar de ter épocas que eles dão uma "trégua", quando chega o período mais quente e úmido eles atormentam os moradores, que acabam apelando para o uso de inseticida e repelentes. 

Limpeza de canal e aplicação de inseticida ajudam a amenizar infestação 


"Tem época que eles voltam com tudo. Dependendo da hora tem que trancar a casa e entupir de remédio, ainda corre o risco de você morrer intoxicado e o mosquito não. É realmente insuportável. Quando limpam o valão até dá uma melhorada. O ideal seria ter o carro fumacê no bairro, coisa que não vemos há muito tempo", diz a moradora.

A espécie que tem se proliferado em Macaé é a Culex (Culex quinquefasciatus). Seu criadouro preferencial é composto de depósitos artificiais, principalmente locais onde existe água com matéria orgânica em decomposição e detritos, apresentando aspecto sujo e mau cheiro, sempre próximo às habitações humanas. 

O que diz a prefeitura

Sobre o saneamento, a praça, o campo de futebol e a pavimentação, a prefeitura, por meio da secretaria de Infraestrutura, informou que será realizado um estudo na localidade para verificar as demandas e futuras intervenções.
Quanto aos mosquitos, de acordo com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), o bairro Jardim Carioca II recebe diversas ações, tais como: visitas domiciliares, Levantamento de Índice, Controle do Culex, entre outros. Na próxima semana, o canal Macaé x Campos, que fica nas margens do bairro, vai receber controle de culex. Outras ações no Jardim Carioca II estão previstas para o dia 12 de setembro.

Já a Coordenadoria de Iluminação Pública, vinculada à Secretaria Adjunta de Serviços Públicos, ressaltou que vai até o local informado para analisar a situação e realizar os reparos necessários. Porém, a  Coordenadoria atenta que o trabalho contínuo de manutenção funciona normalmente. Para solicitação de reparos é fundamental que a população entre em contato pelo número 156. O serviço funciona das 9h às 20h, de segunda a sexta-feira e das 9h às 18h, aos sábados. A ligação é gratuita quando realizada de um telefone fixo. Também está disponível o número (22) 99979-5226, que funciona como atendimento de demandas via WhatsApp.

Sobre o transporte público, a Coordenadoria de Transporte, da Secretaria de Mobilidade Urbana de Macaé, disse que a linha coletiva que atende aos usuários do Jardim Carioca II, dentre outros itinerários, está sendo estudada e fiscalizada. O setor de planejamento está implantando consideráveis melhorias no transporte público do município. Sobre os pontos de ônibus e coberturas foi registrada a reclamação  para que as devidas providências sejam tomadas.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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