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Vale Encantado vive na promessa de dias melhores

Moradores cobram esclarecimentos da prefeitura em relação ao abandono das obras de infraestrutura

Em 31/07/2017 às 12h47


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Prefeitura se nega a dar depoimento sobre a paralisação das obras do Consórcio Vale Encantado Prefeitura se nega a dar depoimento sobre a paralisação das obras do Consórcio Vale Encantado
No mesmo local onde grandes empresas do país e do mundo se concentram e bilhões circulam todos os anos, alguns bairros ainda sofrem com a falta de serviços básicos. Um exemplo disso fica em uma região onde está situado o Polo Offshore. 
Essa semana o Bairros em Debate volta ao Vale Encantado, pequeno espaço em meio a natureza, que concentra um dos IPTUs mais caros do município. Quem conhece de perto os problemas desse local acredita que de "encantado" só mesmo o nome.

"Apesar de gostar de viver aqui, é triste dizer que a situação aqui só tem piorado", lamenta João, que mora há 35 anos no local. 

A nossa última visita ao bairro aconteceu em agosto de 2016. Na época os moradores cobravam respostas da prefeitura em relação às obras de urbanização do Consórcio Vale Encantado, que estão paradas há mais de três anos. 

"Aonde está o encanto desse vale? Estamos há três anos esperando as obras retomarem e a prefeitura não se pronuncia. Deixa a população sem respostas. Tanto os moradores do Vale Encantado, quanto dos outros bairros que seriam contemplados, estão sem saber no que isso vai dar", diz Dirant Ferraz, membro da comissão da obra.

Pavimentação é sonho antigo

Uma das esperanças que as obras trariam aos moradores era a tão sonhada pavimentação das ruas do Vale Encantado. Só que enquanto elas não são retomadas, a população convive com a poeira e a lama. 

Falta de manutenção nas ruas tem afetado até mesmo o transporte público no bairro

"Sou uma das primeiras moradoras daqui e digo que muitas coisas melhoraram, mas ainda tem muita coisa a ser feita. Pagamos impostos altíssimos e temos muitas dificuldades por conta da falta de infraestrutura. O prefeito tem feito a sua parte, sei que ele não pode fazer tudo da noite para o dia, mas ainda tem muito a melhorar", diz Francisca. 

Ela relata que acidentes já aconteceram por conta dos buracos e desníveis na pista. "Meu neto já caiu de moto e se acidentou uma vez em um buraco aberto das obras abandonadas. Peço ao Dr. Aluízio que ele tenha um pouco de compaixão pela gente, pois confio muito no trabalho dele. Até que as obras saiam, passe um pó de brita, algo para melhorar o nosso acesso aqui dentro", solicita.


E um dos impactos que isso tem gerado é no transporte público. Segundo a moradora, a linha que atendia o bairro ficou restrita a alguns lugares por conta das condições das ruas. "Até uns anos atrás os ônibus passavam aqui nessa parte alta, na Alameda dos Ipês. Por conta das ruas, eles pararam alegando que os carros estavam sendo danificados por causa dos buracos, ou seja, hoje para pegar o transporte público é preciso fazer uma longa caminhada, correndo o risco de ser assaltado. Tem que ir até a Prefeito Aristeu ou cortar caminho na mata até a Vila Soares para pegar o ônibus", conta.

Ela diz que o transporte escolar também é impactado. "Tenho que levar a minha menina todo dia a pé até a rua das Firmas. Quando não sou eu, é meu marido de 70 anos que precisa ir de moto. E assim ficamos o dia todo, indo buscar e levar os filhos, que saem e chegam em horários alternados. Até pedi se não podiam vir mais para perto, mas falaram que não era possível porque eles tinham que atender a rota estabelecida", conta a moradora. 

Mutirões só uma vez ao ano

Apesar de ser não ser uma área urbana, o Vale Encantado enfrenta problemas com a limpeza. Terrenos estão tomados por entulhos de obras, lixo e até veículos abandonados. Segundo os moradores, por não ter fiscalização, o local é alvo de descarte irregular.

Como a prefeitura não aparece, o jeito é fazer a limpeza por conta própria. "Os próprios moradores estão fazendo a capina nas suas portas. Se não fizer, o matagal toma conta da rua. Aí a gente fica com medo de sair de casa por questão de segurança", diz Francisca.

Única opção de lazer do bairro está ameaçada 

Assim como qualquer outra Área de Proteção Ambiental (APA), quem for visitar a região do Vale Encantado, reduto de diversas plantas e espécies de animais, deve estar atento às normas que devem ser respeitadas.

São consideradas uma APA as áreas que abrigam espécies ameaçadas de extinção, raras, vulneráveis ou menos conhecidas da fauna e da flora, bem como aquelas que sirvam como local de pouso, alimentação ou reprodução.


Esta região atrai muitas pessoas em dias quentes que desejam um local tranquilo junto à natureza, para se refrescar nas margens do enorme lago que corta a região e até mesmo passar seus dias ao lado da família e dos amigos. Mas, infelizmente, muita gente tem utilizado o espaço de maneira inadequada. 

É comum flagrar resíduos como latas de cerveja, garrafas pet, plásticos, entre outros objetos, nas margens do lago. Além disso, restos de carvão queimado e tijolos dão a entender que os frequentadores têm acendido churrasqueiras no local, o que é proibido. 

Além de ser um crime ambiental, a falta de conscientização ecológica de muitos gera impactos negativos para o homem e para os animais que vivem nessa região, como capivaras. Um pedaço de plástico, por exemplo, leva mais de 100 anos para se decompor no meio ambiente. Já a garrafa pet não tem um tempo definido para se autodecompor. 

Segundo a resolução 008 do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (COMMADS), é "de responsabilidade de cada visitante o controle próprio dos resíduos gerados provenientes de qualquer material ou objeto descartável, assim como quaisquer outros objetos que produzam ou se transformem em resíduos".

De acordo com o Art. 3º, é proibido o ingresso na área de proteção às capivaras, portando objetos de vidro, aparelhos ou instrumentos que promovam sons, churrasqueiras, barracas de acampamento, produtos que venham causar riscos de incêndio e óleos bronzeadores. 

O banho no local é liberado, mas tudo dentro das normas. Já as atividades de caça, pesca e retirada de espécies da fauna e da flora ficam proibidas. Essa medida é fundamental para preservar essa área, que tem grande importância para toda população macaense.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


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Tags: bairros em debate


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