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Calçadão do comércio e do Zé Mengão

Em 21/07/2017 às 11h03


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Zé Mengão, ícone da história social de Macaé, que ajudou a formar o Calçadão da Avenida Rui Barbosa Zé Mengão, ícone da história social de Macaé, que ajudou a formar o Calçadão da Avenida Rui Barbosa
#Macaé #Macae - Muito antes do progresso do petróleo, Macaé se tornou um ícone econômico regional, graças à solidificação de um comércio varejista que rapidamente se transformou em polo para os demais municípios do Norte Fluminense. Mas, apesar de lojas, restaurantes e até um hotel, o Calçadão da Avenida Rui Barbosa se transformou também no ponto de encontro da sociedade e no berço de tantas histórias políticas, que ajudam a contar os 204 anos de Macaé.

O quarteirão conhecido como o Calçadão do Centro Comercial de Macaé vai da Avenida Rui Barbosa, passa pela Conde de Araruama, seguindo até a Marechal Deodoro.  Em janeiro de 1926, o calçamento das ruas começou a ser colocado. Já em 1930, o local registrou a instalação do Cine Teatro Taboada.

Na sequência, entre outros estabelecimentos, havia duas casas comerciais extremamente importantes: Ferragens da Família Franco e o Armazém de Ximenes, Santos & Cia, até atingir o bonito sobrado da sede da Associação Comercial e Industrial de Macaé (ACIM). Colado ao prédio, foi instalada a firma Ribeiro, Xavier & Lessa, na época parede-meia com o Café de Helano. 

Mais adiante se erguia o sobrado da loja de fazendas do Sr. Jorge Chaloub e ao fundo, no centro, estava a vista da palmeira do jardim do Colégio Meirelles. Logo à esquerda estava parte da  Fábrica de Fogos Veado, propriedade de Antônio Fernandes da Costa, inaugurada em 1913 e em cuja área foi levantado o Cine Teatro Taboada e o Palace Hotel. 

O Calçadão também teve como atração à parte o inesquecível Bar do Zé Mengão que, durante 40 anos, foi o ponto de encontro de personagens ilustres da sociedade e da política de Macaé. Principal ponto de encontro de juízes, médicos, políticos, jornalistas, advogados, entre tantos outros que paravam no Zé Mengão para colocar a conversa em dia, o local deixou de existir em janeiro de 2010. 

José Vieira Rangel, mais conhecido como Zé Mengão, se estabeleceu como um dos comerciantes mais tradicionais da cidade mas, infelizmente, não conseguiu frear o progresso que tomou conta de Macaé.

Lá pela década de 50, Zé Mengão, ainda jovem e recém chegado a Macaé, começou a trabalhar no Bar Imperatriz. Localizado na rua da Praia, o estabelecimento logo passou a ser conhecido como o bar que nunca fecha, já que ele mandou retirar todas as portas do imóvel, que estava aberto a todos que quisessem degustar um café acompanhado de um bom bate-papo.

Nessa época, todo o movimento da cidade se concentrava na rua da Praia e próximo ao prédio da Câmara Municipal, onde também funcionava a prefeitura. Na Barra, vivam os pescadores e suas famílias, e os bairros Cajueiros, Miramar, Visconde e Aroeira eram formados pelos funcionários da linha férrea. A BR-101 ainda nem existia e o percurso de Campos até o Rio de Janeiro era feito pela Rodovia Amaral Peixoto, a RJ-106, sendo próximo ao Imperatriz o ponto final dos ônibus que vinham para Macaé. 

Após quase duas décadas na rua da Praia, Zé Mengão se muda para a Avenida Rui Barbosa. O fechamento do Bar do Zé Mengão, em 2010, criou o sentimento de nostalgia e saudades de uma cidade que não era tão racional como agora, com tanta tecnologia e riqueza produzidas pelo progresso do petróleo.

Autor: Márcio Siqueira

Foto: Arquivo O DEBATE


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Tags: Macaé 204 anos


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