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Glamour e decadência em um mesmo cenário

Em 19/07/2017 às 14h26


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A situação de abandono do prédio representa a decadência do antigo Clube Ypiranga A situação de abandono do prédio representa a decadência do antigo Clube Ypiranga
Do glamour das festas sociais, regadas à boa música e a noites memoráveis, ao abandono de uma história rica também por conquistas no esporte, a antiga sede do Clube Ypiranga se resume hoje a um fim melancólico, que nem mesmo a celebração pelos 204 anos de Macaé é capaz de mudar.

O prédio situado na Avenida Presidente Sodré abrigou o Clube Abaetés, fundado pelo fazendeiro Manequinho Paes.
Segundo historiadores e moradores antigos da cidade, o Abaetés foi fundado pelo fazendeiro depois de um desentendimento com a direção do Tênis Clube, do qual era sócio. A história conta também que a idéia de Manequinho era criar em Macaé um moderno cassino de jogos e roletas, mas em 1945 o general Eurico Dutra, então presidente do país, baixou um decreto proibindo jogos de azar, e este decreto permanece em vigor até hoje. 

Diante do impedimento do governo, o Abaetés tornou-se um clube onde eram realizados suntuosos bailes de formatura, frequentados pela alta sociedade macaense. No entanto, com o passar do tempo, a manutenção do Clube acabou sendo inviável e o prédio foi vendido para Lacerda Agostinho que, em 1926, fundou o Ypiranga Futebol Clube.

Em pouco tempo, o salão principal tornou-se o espaço dos principais bailes realizados em Macaé, enquanto que a quadra construída nos fundos da propriedade tornou-se o berço do futebol de salão na cidade, marcando assim o início do período de glória e de sucesso do time que tinha como rivais o Fluminense e o Americano, de Campos dos Goytacazes.

Com o passar do tempo, a quadra recebeu uma proteção e virou berço também de times vitoriosos de basquete e de vôlei. O espaço serviu de palco também para apresentação de grandes nomes da MPB, como Ivan Lins e Roberto Carlos, além de concursos para as escolhas de Miss Macaé
Anos depois, o Ypiranga recebeu a rádio ZYP-21- Rádio Princesa do Atlântico, que tinha auditório e realizava programas de calouros comandados nos finais de semana pelo apresentador Carlos Couto. Na área, eram realizados também bailes de carnaval, por volta da década de 80.

Com a descoberta do petróleo, e o início das atividades da exploração na Bacia de Campos, a cidade se modernizou e teve seu eixo de atividades sociais deslocado para a região praiana, sobretudo a Praia dos Cavaleiros.

Mesmo assim, alguns dos sócios proprietários de títulos do Ypiranga continuaram a frequentar, pelo menos, a quadra poliesportiva para praticar futebol de salão. Já o salão, que no passado foi palco para o início de relacionamentos que duram até hoje, acabou se transformando em espaço para bailes de músicas modernas como funk e forró.

Nesse período, a beleza de um dos prédios mais importantes de Macaé acabou sendo substituída por paredes descascadas, rachadas e com infiltrações. Mesmo com as pequenas reformas estruturais, realizadas pelas últimas diretorias do Clube, os salões do Ypiranga perderam o glamour.

Autor: Márcio Siqueira

Foto: Wanderley Gil


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Tags: Macaé 204 anos


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