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Conspiração artística para enfrentar a política

Em 18/07/2017 às 13h12


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Lyra dos Conspiradores: a arte como enfrentamento político Lyra dos Conspiradores: a arte como enfrentamento político
Dentre todas as suas referências culturais e lutas políticas, Macaé consegue concentrar em um só patrimônio histórico a resistência capaz de unificar esses dois ideais.

Através da Lyra dos Conspiradores, a cidade escreveu a sua parte na história de militância contra as desigualdades que surgiram como retrocesso, em meio a um período de grande progresso.

A história da Lyra dos Conspiradores começou quando um grupo de músicos, totalmente avesso à escravidão, decidiu se unir para fundar uma nova sociedade musical. Neste sentido, um grupo de abolicionistas não se conformava em apoiar a escravidão, e decidiu então deixar a Sociedade Particular Nova Aurora. Foi quando Luiz Francisco Quaresma, Cândido de Freitas Coutinho, Alfredo Amaral, Antônio José de Carvalho Torres, José Cyriaco e Joaquim Roza decidiram fundar a Sociedade Musical Beneficente da Lyra dos Conspiradores.

No dia 25 de dezembro de 1882 nascia a Lyra, com o objetivo principal de conspirar contra a escravidão que envergonhava o Brasil. Seu estatuto foi o primeiro a desafiar a ordem social da época, estabelecendo que em seu quadro social e na banda de música fossem admitidos todos que o desejassem, sem distinção de sexo, religião, política ou cor.

Na época, Dom Pedro, através do escrivão da casa Imperial, mandou uma interpelação sobre suas atividades, acreditando que a entidade macaense estava conspirando contra a monarquia. Em resposta, os diretores da Lyra disseram que um grupo conspirou em segredo à criação de uma nova sociedade musical, diferente da Nova Aurora, e como objetivo principal seria a música.

No entanto, entre 1883 e 1888 a Lyra não fez outra coisa senão conspirar ativamente contra a escravidão, quer utilizando sua banda de música como força arregimentadora de massas, quer cedendo suas dependências para reuniões conspiradoras dos abolicionistas. Há, inclusive, quem afirme, mas não existe registro, que o sótão do prédio foi muitas vezes utilizado para esconder escravos fugitivos até seu encaminhamento posterior ao quilombo que existia nas proximidades de Quissamã.

Em 1887, a Lyra finalmente adquiriu o terreno da sede, o que acabou enriquecendo o movimento de resistência à escravatura. Nessa mesma época, o movimento abolicionista ganhou grande expressão e a sede da Lyra passou a ser alvo de várias tentativas de invasão, inclusive com lutas brutais.

A mais séria delas aconteceu no dia 31 de julho, quando a Lyra recebeu o grande abolicionista Carlos Lacerda, que faria uma conferência na sede sobre liberdade. Como mostram os registros, os componentes da Lyra descobriram que um grupo estaria organizando um ataque ao abolicionista na estação ferroviária.

Em 2013, durante as comemorações pelos 200 anos de Macaé, a Lyra foi tombada como patrimônio histórico da cidade, através da Fundação Macaé de Cultura.

Autor: Márcio Siqueira


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Tags: Macaé 204 anos


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