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Palácio dos Urubus: monumento tombado

Em 14/07/2017 às 14h03


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Decadência do prédio começou na década de 70 Decadência do prédio começou na década de 70
Do apogeu dos engenhos da cana de açúcar, à decadência imposta pelo progresso, o Palácio dos Urubus merece um capítulo à parte nos 204 anos de história de emancipação política e administrativa de Macaé.

Construído na segunda metade do século XIX, o prédio tem seu projeto atribuído ao alemão Antônio Becher, que veio ao Brasil para fazer os projetos arquitetônicos de outros monumentos, como os Solares da Mandiquera e Machadinha, em Quissamã.

Os grandes senhores de engenho começaram a construir seus casarões, baseados em modelos europeus e com muito luxo. A área rural ainda ficava longe da cidade, onde se concentravam os agitos da vida social. Foi então que o primeiro proprietário, Manoel Pinto Ribeiro de Castro, casado com a macaense Felizarda Alchimenna, recebeu a casa como presente de sua avó, a Viscondessa de Muriahé.

Naquele tempo, Felizarda vivia muito só em sua fazenda, já que seu marido estava sempre viajando para a capital a negócios. Foi aí que ela decidiu que queria viver na cidade, próximo do murmurinho da época e de sua família. Lá teve dois filhos, o mais velho, conde Augusto, acabou herdando a casa.

A construção do casarão contou com tudo do bom e do melhor, no mais alto luxo. As grades e vidros de cristal foram importados da Alemanha e azulejos portugueses. O recheio da casa era valioso, com leitos de jacarandá com detalhes de flores, pássaros, brasão e dossel. 

A mobília da sala era dourada e estofada de pura seda. Em cada quarto, os oratórios em estilo barroco. No solar ainda existiam peças de valor imensurável, como álbuns de fotografias raras, porcelanas de Sèvres, do Macau e da Índia, além de um faqueiro de prata maciça. 

No entanto, após algumas decepções pessoais, como a morte de sua esposa, que faleceu no parto, aos 17 anos, Augusto decidiu vender a casa, em 1894.

Durante o período republicano, o casarão foi de grande importância, perdendo seu brilho na década de 70. Poucos são os registros fotográficos do lugar que marcou uma época de Macaé. 

Atualmente, não resta mais nada dessa história de luxo e riqueza da época dos senhores de engenho e da aristocracia macaense. O Palácio dos Urubus é hoje o único prédio tombado no município de Macaé pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), por decreto homologado em 31 de janeiro de 1979, após projeto de autoria do arquiteto macaense José Carlos Franco Corrêa.

Autor: Márcio Siqueira

Foto: Arquivo


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Tags: Macaé 204 anos


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