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Pesquisa realizada pelo Nupem/UFRJ aponta cenário de contaminação em Macaé

Estudo realizado por pesquisadores com os mexilhões de praias de Macaé mostra um exemplo do cenário de poluição das águas, que já foram comprovados em outros estudos.

Em 28/03/2016 às 10h55


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A foz do Rio Macaé é apontada por pesquisadores como a parte mais contaminada do manancial A foz do Rio Macaé é apontada por pesquisadores como a parte mais contaminada do manancial
Na semana em que se comemorou o Dia Mundial da Água, um dado chamou a atenção na Capital Nacional do Petróleo. A contaminação dos principais recursos hídricos do município, em especial a foz do Rio Macaé, sendo esta bacia hidrográfica um manancial responsável por abastecer toda cidade, hoje composta por cerca de 206.728 habitantes (dados do IBGE de 2010). 

A mais recente pesquisa realizada pelos profissionais e alunos teve como objetivo avaliar o grau de contaminação de mexilhões da espécie Perna perna por hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) e metais pesados, como uma indicação da qualidade das águas e deste recurso biológico da costa do município de Macaé. 

A pesquisa foi realizada na dissertação de mestrado pelo aluno Igor Uchoa Santiago, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação do NUPEM/UFRJ orientada pelo Prof. Aricelso Limaverde, com a participação dos pesquisadores Mauricio Mussi Molisani (NUPEM/UFRJ), Adriana Nuddi e Angela Wagener (PUC/RJ). Os resultados acabam de ser publicados na revista Marine Pollution Bulletin (Vol.  103, 2016).

Segundo os pesquisadores, os HPAs e metais podem indicar a presença de derivados de petróleo e de efluentes de atividades humanas, como esgoto, lixo, resíduos industriais. Eles explicam que alguns destes compostos podem ter potencial para causar danos genéticos em organismos, como os 16 compostos de HPAs prioritários para monitoramento de acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, e metais pesados, como Cr+6. Os mexilhões foram coletados em costões rochosos na foz do rio Macaé (em frente ao Mercado de Peixes), Praia Campista (próximo ao Farol), Praia das Pedrinhas (Lagoa Imboassica) e Ilha de Santana, em períodos de chuva e de estiagem em 2013.

O resultado da pesquisa, apresentado pelos pesquisadores, foi: "Os mexilhões coletados na foz do rio Macaé apresentaram altos níveis de HPAs, sendo seguidos pelos organismos coletados na Praia Campista. Já os mexilhões da Ilha de Santana e Pedrinhas apresentaram menores concentrações destes compostos orgânicos". 

"Os altos valores de HPAs dos mexilhões na foz do Rio Macaé são similares aos mexilhões analisados na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, que sofre com contaminação crônica por derivados de petróleo. Portanto podemos considerar que os mexilhões indiquem um cenário crítico de poluição por derivados de petróleo no estuário do Rio Macaé, o que compromete a qualidade deste recurso biológico, inclusive para o consumo pela população. Este cenário é mais preocupante quando os mexilhões desta área apresentaram os maiores níveis de HPAs com potencial de gerar câncer (carcinogênico)", explicou o Prof. Aricelso. 

Ainda segundo os pesquisadores, quando comparados as concentrações de HPAs nos mexilhões na costa de Macaé com outras praias e ilhas do Estado do Rio de Janeiro (Arraial do Cabo, Niterói, Angra dos Reis, Rio de Janeiro) pode-se ver maiores valores em Macaé, indicando que é necessária a preocupação com a região. 

"Embora os mexilhões coletados na Ilha de Santana apresentassem menores valores totais de HPAs, de forma surpreendente, as espécies mais tóxicas de HPAs (16 HPAs prioritários) foram observadas na Ilha de Santana. A questão é saber quais são as fontes de HPAs para os mexilhões? As análises indicam que derrames e a queima de derivados de petróleo são as fontes de HPAs para os mexilhões podendo ser oriundas das atividades urbanas e de toda a navegação que ocorre na costa de Macaé, incluindo os barcos de pesca na foz do rio e dos navios que dão suporte as atividades de exploração de petróleo na Bacia de Campos e que ficam atracados próximos a Ilha de Santana. Em relação aos metais pesados não observamos um cenário de contaminação nos mexilhões, a exceção do Cr que apresentou maiores valores do que preconizado pela Agencia de Vigilância Sanitária", ressaltou os profissionais.

Pesquisas recentes realizadas pelo Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (Nupem) / UFRJ e pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais  Conservação (PPG-CIAC) indicam um cenário onde as águas de Macaé apresentam em certas situações, condições consideradas como naturais e em outras situações apresentando deterioração ambiental.  

O pesquisador Mauricio Mussi Molisani ressalta que o Rio Macaé é um exemplo onde suas condições são consideradas boas em certas partes da bacia hidrográfica, principalmente devido à presença de florestas, enquanto que em outras partes da bacia e principalmente na foz do rio, suas condições já estão se deteriorando. 

Ele enfatiza ainda que conforme já mencionado anteriormente, esta é a hora de se tomar providências para reduzir o impacto ambiental no Rio Macaé. "Pois ainda observamos condições naturais, enquanto que as condições de poluição são iniciais e ainda reversíveis. Se nada for feito agora, esta condição de deterioração ambiental vai aumentar e se espalhar pela bacia do Rio Macaé sendo necessários maiores esforços e recursos financeiros sem garantia de que as condições naturais sejam obtidas", ressaltou.

"O estudo realizado por nós com os mexilhões é um exemplo deste cenário de poluição das águas, que já foram comprovados em outros estudos com bagres e pequenos crustáceos que apresentaram efeitos bioquímicos e mortalidade devido à presença de HPAs oriundos de derivados de petróleo no estuário do Rio Macaé. Estes estudos confirmam a urgência de se realizar o ordenamento do uso da foz do rio Macaé e da zona costeira visto que suas águas já estão se tornando tóxicas para organismos e potencialmente tóxica para a população que venha a se alimentar destes bivalves", disse Mauricio.

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: kaná Manhães


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Tags: meio ambiente, geral


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