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Denúncia de crime ambiental na restinga da Praia Campista

Moradores lamentam o fato de a Prefeitura designar pessoas para limpar a área com máquinas roçadeiras

Em 30/09/2015 às 16h53


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Os filhotes são da espécie coruja buraqueira que habita a região da restinga da costa macaense Os filhotes são da espécie coruja buraqueira que habita a região da restinga da costa macaense
Conhecida como a Capital Nacional do Petróleo, Macaé - um município com aproximadamente 206.728 habitantes - sofre cada vez mais com a degradação ambiental. Uma situação que, em pleno século XXI, vem preocupando mais cientistas, ambientalistas e profissionais que atuam em prol da preservação do meio ambiente.  Como se não bastante a degradação ocorrida por toda parte, dando lugar a prédios e construções irregulares, as restingas que deveriam ser um local de preservação da fauna e flora - como a restinga da Praia Campista - vêm sofrendo com ações humanas. 

Na última semana, de acordo com denúncias, o local foi alvo de degradação pelo próprio órgão municipal que designou profissionais para fazerem a limpeza da área utilizando máquinas roçadeiras. A ambientalista Jane da Conceição, que luta pela preservação do local em prol das corujas buraqueiras que habitam a unidade, acompanhou toda a ação e conta que, por pouco, uma família de corujas não foi alvo das máquinas. 

"O que aconteceu diante dos meus olhos, e de todos que lutam comigo pela preservação do lugar, foi a prova do quanto somos "Analfabetos Ecológicos". Fico indignada ao ver a minha cidade, principalmente, em áreas de luta pela preservação e conservação receber batalhões de homens que executam "ordens" de destruição na frente de todos. Tentei argumentar, pedir para que não degradassem a restinga, explicando a sua importância, mas de nada adiantou. O único lugar que não foi atingido foi onde eu havia colocado um cerco devido a uma família de corujas que estavam com filhotes. Falei do projeto "Escola Viveiro a Céu Aberto" que temos para o local, e nada.

O que presenciamos foi um crime para com as nossas corujas e seus filhotes. Com essas práticas, percebemos que estamos caminhando contra aquilo que são as propostas de um mundo sustentável, uma cidade desenvolvida para o turismo, uma cidade boa para se viver. Não será agindo assim que lograremos avanços", desabafa. 

Ainda segundo Jane, os profissionais só se afastaram um pouco do lugar onde estava a família de corujas após a chegada da guarda ambiental. "A equipe da Guarda apoia o nosso projeto, então resolvemos acioná-los e, após a chegada deles, é que os homens foram executar seus serviços um pouco mais distantes. Nós, os professores, os moradores, nos sentimos impotentes e tristes ao ver a base do desenvolvimento sendo cortada por máquinas nas mãos de homens como se fossem metralhadoras. Toda ferramenta é muito perigosa nas mãos de pessoas sem preparo e máquinas como essas matam, destroem a natureza e o próprio emprego desses trabalhadores", disse a ambientalista. 

O que a deixa ainda mais indignada é o fato da ação ter sido uma ordem do próprio órgão municipal. "O serviço público é a base, e neste caso, o significado do Servir Público perde valor quando as pessoas obedecem ordens erradas. A população fica desacreditada. Me preocupa muito a forma que esses funcionários vivem. Eu sei que eles também precisam trabalhar, alimentar seus filhos, e sabem que as corujas também precisam da vegetação, mas ainda assim obedecem determinações", lamenta. 

Ainda em meio à sensação de impunidade, Jane se questiona sobre o que é possível sentir diante de toda essa situação, qual a cidade que sonhamos para as futuras gerações. "Não estamos falando apenas de "plantinhas", mas, inclusive das plantas. Estamos falando de vidas. Seres que merecem nosso respeito, nosso olhar. Pessoas atenciosas são pessoas amorosas e de elevada inteligência. Precisamos de pessoas que prestem atenção naquilo que elas estão praticando", disse.

Procurada pela redação do Jornal, a Prefeitura informou que o local onde estava sendo realizada a limpeza é de utilização comum para a passagem de pedestres e a parte em que as corujas costumam ficar é uma área cercada, e não onde foi realizado o trabalho. 

Ainda segundo o órgão, um representante da Secretaria de Ambiente compareceu ao local para apurar uma denúncia, mas constatou que o serviço não estava prejudicando a vegetação local ou oferecendo riscos para as corujas. 

Imagem mostra os profissionais do órgão municipal se preparando para executar os serviços na área 









Já esta imagem mostra os filhotes de coruja que residem na restinga graças ao Projeto "Viveiro a Céu aberto"

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: Divulgação


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