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Crise da Petrobras afeta mais que queda do preço do petróleo

Guerra econômica geopolítica internacional interfere menos no mercado offshore brasileiro do que a instabilidade da Petrobras

Em 09/03/2015 às 12h03


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Indústria do petróleo aguarda definições da Petrobras sobre o futuro do processo de exploração e produção Indústria do petróleo aguarda definições da Petrobras sobre o futuro do processo de exploração e produção
As incertezas quanto aos investimentos previstos pela Petrobras na operação do petróleo brasileiro neste ano, em virtude da instabilidade gerada pela crise institucional que se abateu sobre a companhia a partir das investigações da Operação Lava-Jato, geram impactos profundos no cotidiano da indústria offshore local, bem mais que a batalha geopolítica travada entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos, no controle do mercado de óleo e gás mundial.

Esses efeitos foram destacados por José Sergio Gabrielli, nome que ressurge como ex-presidente da Petrobras em uma época marcada por duas fases distintas: a da autossuficiência e das negociatas que podem ter gerado um rombo de mais de R$ 80 bilhões em atos de corrupção.

Do alto da experiência adquirida ao conduzir por sete anos a presidência da companhia, Gabrielli trouxe nesta semana a Macaé a sua imagem como gestor da companhia na época que se tornou uma das maiores empresas de energia do mundo.
Ao se reunir com a direção do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Gabrielli reforçou os rumores de ser um dos militantes do ex-presidente Lula (PT) na organização do ato em defesa da Petrobras, pré-agendado por lideranças do partido para o próximo dia 13. 

Oficialmente, Gabrielli esteve no Sindipetro-NF para participar de reunião interna da instituição.
Especulações à parte, as declarações do ex-presidente sobre a companhia ajudaram a entender o atual comportamento do mercado do petróleo nacional, que gera diretamente efeitos na administração de Macaé e as demais cidades produtoras de petróleo do Norte Fluminense.

No aspecto internacional, Gabrielli aponta a existência de uma guerra geopolítica travada por 'gigantes do petróleo mundial'.
"Os preços do petróleo estão caindo por uma questão geopolítica internacional. A Arábia Saudita, que tradicionalmente era quem recuperava o preço do petróleo com a redução da produção, não está reduzindo o seu ritmo. A Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo), portanto, não está reduzindo a sua produção. Por isso os preços do barril do petróleo continuam caindo. Acredito que isso tem a ver muito com a expectativa de expansão da produção do petróleo nos Estados Unidos e a Arábia Saudita quer impedir que essa nova produção americana crie competição com sua produção. Este cenário não tem nada a ver com o Brasil", apontou o ex-presidente da Petrobras.

No âmbito nacional, Gabrielli aponta os efeitos da crise institucional enfrentada pela Petrobras, como fator predominante que afeta o mercado offshore local.

"Há um problema que depende do país, que é a situação da cadeia de fornecedores da indústria do petróleo. Este setor está em crise. Atualmente a Petrobras está com um processo decisório muito lento, porque dada a crise, as decisões são mais lentas. Isso afeta de forma muito especial os pequenos e médios fornecedores, que sentem a curto prazo os efeitos do pagamento com atraso dos projetos da Petrobras", apontou.

O ex-presidente da companhia aponta também a questão da redução dos investimentos previstos pela empresa para este ano.
"A revisão que a Petrobras está fazendo em seu plano de negócios, pelo menos para 2015, vai apresentar uma redução de investimentos. A Petrobras está anunciando investimentos para 2015 em torno de US$ 33 bilhões, quando a média anterior era de US$ 45 bilhões. Portanto, haverá uma redução razoável. Não acredito que isso vai atingir de forma direta a exploração e produção na Bacia de Campos e na Bacia de Santos", analisou

Recado aos municípios

Ao apontar a retração de negócios da companhia para este ano, José Sergio Gabrielli afirmou que a Petrobras não deve apresentar grandes mudanças no planejamento estratégico de investimentos a longo prazo, definido pelo Plano de Gestão de Negócios para 2015-2019.

"Uma empresa como a Petrobras não muda seu plano de negócios a curto prazo. Nada no mundo do petróleo muda a curto prazo. Atrasar projetos é gerar efeitos na receita futura", opinou o ex-presidente.

No entanto, ele desconsiderou a possibilidade da companhia antecipar a apresentação do Plano 2015-2019, prevista para acontecer em junho, atendendo assim a uma reivindicação do núcleo do desenvolvimento regional, criado pelos prefeitos das cidades produtoras de petróleo do Norte Fluminense.

"Acho difícil ocorrer a antecipação da apresentação do Plano que representa o investimento em todos os projetos da companhia que precisam ser planejados. Não dá para antecipar essa análise", disse Gabrielli.

Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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