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Criança esquecida em van escolar aguarda atendimento psicológico

Desde o dia 10 de abril, um dia após o ocorrido a mãe busca atendimento na rede municipal de Saúde e encontra dificuldades no agendamento

Em 17/05/2013 às 16h57


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No último dia 9 de maio fez um mês que uma criança de apenas quatro anos foi esquecida durante três horas em uma van escolar na Capital do Petróleo. A situação se repetiu 21 dias depois com outro menor da mesma idade que ficou seis horas preso no veiculo enquanto deveria estar na escola. Em ambas as situações, o transporte pertencia a uma empresa que presta serviços à prefeitura e os dois casos foram registradas na 123ª Delegacia Policial (DP) de Macaé. 

As três horas de "terror" vividas pela primeira criança ainda não foi esquecida e ele precisa com urgência de atendimento psicológico. No entanto, a mãe relata as dificuldades encontradas para a marcação de uma consulta na rede municipal de Saúde. 

"Desde o dia seguinte ao ocorrido estou tentando agendar a consulta, mas está difícil. As unidades alegam que estão com poucos profissionais da área e por isso está difícil fazer o agendamento. A única vez que consegui marcar ele não foi atendido. Enquanto isso já estou há mais de um mês lutando de um lado para o outro com ele, que não quer desgrudar de mim. Essa semana é que  consegui  agendar para a semana que vem. Agora é torcer para que de fato ele seja atendido", relatou Jocilene Azeredo. 

E o problema não para por aí. Enquanto o atendimento não é feito a criança tem pesadelos todas as noites e acorda gritando no meio da madrugada.  "Ele não dorme mais sozinho no quarto dele. Dorme comigo todos os dias porque tem medo. E quando ele entra no carro, começa a falar que vamos morrer, fala direto que ele vai morrer porque ele quase morreu na van", conta a mãe. 

Devido ao trauma, a criança não fica mais com outras pessoas para a mãe trabalhar e chora o tempo todo. "Eu sempre trabalhei e isso não acontecia, mas agora ele fica o tempo todo grudado em mim como que se ao meu lado nada fosse lhe acontecer. Mas o que me deixa mais chateada é a ausência de vaga para ele com psicólogo pela Prefeitura. Essa demora toda para eu conseguir agendar. No momento estou de férias e preciso desse tempo pra ele tentar voltar ao normal, meus últimos dias no trabalho eu paguei para alguém fazer meu plantão porque ele não parava de chorar. E quando minhas férias acabarem? Os dias estão passando e fico mais preocupada. Como vou conseguir voltar a trabalhar e ele ficar em casa gritando desesperado porque tem medo de ficar longe de mim?", questiona a responsável. 

Mudança na rotina 

O caso que poderia ter sido evitado, mas que não foi, trouxe prejuízos a vítima de abandono (criança) e toda família. "Com todos esses problemas que estamos passando minha saúde já está ficando afetada. Estou cada vez mais estressada por estar vivendo com uma rotina que não estaria acontecendo se não fosse a falta de atenção e responsabilidades das pessoas que o esqueceram. Estou de férias, mas nada do que programei foi feito. Meu tempo está sendo apenas para tentar amenizar a dor e medo que meu filho esta sentindo. Só desejo que nenhuma outra família passe por tudo que estamos passando e espero que um dia meu filho volte a ser a criança que ele era", ressalta. 
Devido ao medo de ir para unidade onde estudava, a criança foi transferida de escola, mas continua a não querer ir e chora todos os dias para ir para a aula. 

Mãe com o coração apertado 

Jocilene conta que depois do segundo caso (criança também esquecida em van), registrado na cidade, sente um aperto no coração e fica apavorada com medo de acontecer com o filho.  "Mantenho um trato com a professora que se ele não for à aula e eu não avisar é porque alguma coisa aconteceu. Essa iniciativa é  o que me deixa um pouco mais tranquila", diz. 
Procurada pela equipe de reportagem do Jornal para falar sobre o assunto a prefeitura não se pronunciou. 


Autor: Juliane Reis/ Juliane@odebateon.com.br


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