Cadastre-se e receba nossas novidades:

Notícias

Cientistas defendem controle ambiental na área do pré-sal

Durante os debates, o presidente do congresso defendeu controle ambiental na área de exploração do pré-sal.

Em 19/11/2012 às 10h15


Versão para impressão
Enviar por e-mail
RSS
Diminui o tamanho da fonte Aumenta o tamanho da fonte

O 5º Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2012), realizado esta semana no Rio, teve como tema principal a sustentabilidade dos oceanos. Durante os debates, o presidente do congresso, Carlos Leandro da Silva Júnior, vice-presidente da Associação Brasileira de Oceanografia (Aoceano), defendeu controle ambiental na área de exploração do pré-sal.

"A gente tem visto aumento da produção de petróleo e a discussão no Congresso em torno da divisão dos royalties do petróleo, mas ninguém bota a questão ambiental no âmbito do pré-sal. Ou seja: o que está se fazendo na realidade para um bom monitoramento ambiental da região que ninguém conhece?".

O presidente do Congresso insistiu na necessidade de se evitar o que ocorreu na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro. Ali, disse, os trabalhos de exploração e perfuração começaram a ser efetuados antes da realização de estudos ambientais. Com isso, perderam-se as referências de como era o ambiente naquele local, denunciou o presidente do CBO’2012.

Ele ressaltou a importância da linha base do processo de conhecimento, para evitar consequências negativas no futuro."Como você vai preservar uma coisa que não conhece?", indagou, para acrescentar: "A gente acha que antes de começar a produção e os investimentos, a preocupação deveria ser a realização de estudos em oceanografia para desenvolver o conhecimento na região, ter o mapeamento de tudo da área de biologia, de pesca, química, sísmica, para depois poder furar". Prejuízos à flora e à fauna marinha serão abordados. "Não se pode mitigar alguma coisa sem conhecer antes", reiterou.

Outra preocupação diz respeito à questão das energias renováveis nos oceanos. Isso envolve, segundo o presidente do congresso, a geração de energia a partir das ondas e a energia eólica no mar. "São temas que têm de ser discutidos". Os corais encontrados em águas profundas e os impactos das mudanças climáticas nos corais são outros temas debatidos durante o encontro, que terminou dia 16.

Segurança dos portos também é fundamental

Carlos Leandro salientou, ainda, a questão da gestão e da segurança dos portos. "Em um país como o nosso, que precisa crescer, porto é fundamental do ponto de vista de exportação e importação. O Brasil precisa ter bons portos, com segurança operacional, com conhecimento das áreas do entorno". É preciso que os portos estejam preparados para grandes acidentes, com planos de emergência para as áreas, defendeu.

O monitoramento e a mitigação de vazamentos de óleo no mar serão examinados durante o congresso, para evitar que incidentes possam vir a afetar, inclusive, outros países, alertou o vice-presidente da Aoceano. É preciso, reforçou, que as pessoas atentem para o fato que o Brasil tem 8 mil quilômetros de costa e vejam a importância das espécies do oceano profundo e não somente das praias. "Tem que ver a importância do oceano no seu aspecto mais amplo".

Além de workshops, visando à elaboração de propostas que serão encaminhadas à sociedade, o congresso contou com palestras de especialistas e apresentação de 1.360 trabalhos científicos. O evento teve o apoio da Marinha, da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Durante o congresso foram comemorados os 35 anos do curso de oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O CBO’2012 objetiva apresentar novos conhecimentos por meio de pesquisas técnicas e científicas na área dos oceanos. Esta é a primeira vez que o evento é promovido no Rio de Janeiro, estado considerado pela Aoceano uma referência no Brasil no que tange a questões no mar.

Em paralelo, ocorreu a 7ª Feira Técnico-Científica Brasil Oceano, para apresentação, promoção e comercialização de novos produtos, serviços e tecnologias. Leandro revelou que a feira pretende estimular alunos do segundo grau de escolas públicas e privadas a conhecerem equipamentos usados em oceanografia, entre os quais um radar que mede correntes remotamente. A feira destaca também projetos ambientais desenvolvidos por organizações não governamentais (ONGs). "As ONGs não podem ficar fora do processo, porque além de formadoras de opinião, elas são uma forma de pressionar o setor produtivo a ter políticas ambientais". 


Poluição e pesca predatória ameaçam estoques pesqueiros

Ao analisar os dados do relatório "The State of World Fisheries and Aquaculture 2012", produzido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o jornalista, ambientalista e cientista social Henrique Cortez afirma que os dados do relatório são preocupantes porque demonstram que "30% dos peixes do mundo são superexplorados e podem desaparecer, e outros 57% estão próximos do limite da pesca sustentável". 

De acordo com o jornalista, que também é consultor do Portal Eco-Debate, os dados são consequência da sobrepesca, resultado da captura insustentável e que, além de pôr em risco uma série de espécies pesqueiras, aumenta o desperdício de alimentos. Segundo Cortez, a crescente produção de combustíveis fósseis (petróleo e gás) em plataformas offshore também contribui para ampliar o problema.

De acordo com Cortez, esta nova edição do relatório é surpreendentemente completa, precisa e bem fundamentada. É um preocupante diagnóstico da situação da pesca no planeta. "Segundo a FAO, o mundo consumiu cerca de 128 milhões de toneladas de peixes em 2010. O dado é considerado um recorde para a FAO, que estima que, em 2011, o consumo tenha ultrapassado 130 milhões de toneladas. Isso equivale a 19 quilos de peixes por pessoa/ano".

A China tem sido responsável pela maior parte do aumento no consumo mundial de peixe per capita, devido ao aumento considerável em sua produção de peixes, incluindo a aquicultura, sendo que a participação da China na produção mundial de pescado aumentou de 7% em 1961 para 35% em 2010. Isso é até natural, considerando o imperativo de garantir a segurança alimentar de sua grande população.

Cortez explica que o problema é que os estoques pesqueiros estão à beira do colapso. Ainda de acordo com o relatório, 30% dos peixes do mundo são superexplorados e podem desaparecer, e outros 57% estão próximos do limite da pesca sustentável. O relatório da FAO reafirma que a pesca comercial em grande escala já captura 80% de todas as espécies oceânicas, além de sua capacidade máxima de reposição e que a sobrepesca continua a crescer. 

Na sua avaliação, é um resultado da captura insustentável, da ineficiência do processo de produção e do desperdício de alimentos. Três em cada dez peixes são mortos pela captura por 'engano' e são jogados de volta à água. Todos os anos, 250 mil tartarugas são mortas pelos ganchos destinados aos peixes-espada. Mais de 70% dos estoques populacionais de peixes da Europa progressivamente são empobrecidos pelo uso excessivo das redes. 
                                       
Psicultura comercial também causa impactos

 Cortez afirma que a crescente produção de combustíveis fósseis (petróleo e gás) em plataformas offshore também contribui para ampliar o problema. Não apenas pelos vazamentos e derrames acidentais como também pela própria presença física das plataformas em ecossistemas marinhos sensíveis. "Se considerarmos a expansão deste tipo de exploração de hidrocarbonetos e somarmos à exploração do pré-sal e do Ártico, num futuro próximo estaremos potencializando o que já é um grave risco à biodiversidade marinha".

Paralelamente ao esgotamento dos estoques pesqueiros cresce a piscicultura comercial. Essa alternativa apresenta riscos ou pode ser uma saída para o consumo? Para o ambientalista, a piscicultura precisa alimentar os peixes ao máximo, no menor tempo possível, para que atinjam tamanho e peso com valor comercial. "Para isso ela usa rações e óleos produzidos a partir de pequenas espécies como sardinha. Essas pequenas espécies, que são de fundamental importância na cadeia alimentar marinha, também estão sob imensa pressão de sobrepesca e a piscicultura é uma das razões".

- As pequenas espécies, que, aparentemente, têm pequeno valor comercial, são intensamente capturadas para produção de rações. Um terço da captura mundial de peixe é desperdiçado na produção de ração animal, sendo que as rações preparadas a partir de peixes representam 37% (31,5 milhões de toneladas) do total de peixes retirados dos oceanos a cada ano, e 90% das capturas transformam-se em farinha e óleo de peixe. Em 2002, uma parcela equivalente a 46% de farinha de peixe e óleo de peixe foi utilizada como alimento para a aquicultura (piscicultura), 24% para alimentar porcos, e 22% para a alimentação de aves.

- Além disso, existe o problema da piscicultura de espécies exóticas potencialmente invasoras e os danos aos ecossistemas, como ocorre frequentemente com a criação de camarões e com os danos aos mangues. No Brasil já são incontáveis os casos relatados, concluiu.





Autor: Martinho Santafé

Foto: Divulgação


    Compartilhe:


publicidade