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Município foca no crescimento econômico ao longo dos anos

Crescimento que segundo cientistas não representa qualidade de vida para a população

Em 30/07/2012 às 14h40


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De acordo com Francisco Esteves, Macaé recebe muitos recursos, mas convive com as degradações, e muitos outros danos ao De acordo com Francisco Esteves, Macaé recebe muitos recursos, mas convive com as degradações, e muitos outros danos ao
Este ano o tão conhecido município de Macaé completa o seu 199º aniversário. São quase 200 anos de "histórias, conquistas, investimentos, educação, saúde, empregos, entre outros". Mas em meio a tantas ações que contribuem para o desenvolvimento econômico, turístico e cultural da Capital do Petróleo, a sociedade assim como turistas convive com um grande dilema: o descaso com o meio ambiente: Rios, praias, lagoas sofrem com degradação, poluição, assoreamento e "descaso" do poder público.

A cidade que de Princesinha do Atlântico, passou a ser conhecida como a Capital Nacional do Petróleo, após a perfuração do primeiro poço de petróleo no município em 1997, atualmente é conhecida por vários fatores - todos ligados a economia: é responsável por atrair empresas de todas as partes do mundo, e consequentemente, pessoas em busca de inserção no mercado. 

Devido a essa constante migração, o município iniciou o seu crescimento desordenado, tornando-se cada vez mais conhecido devido ao seu potencial empregatício. Dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Macaé lidera o ranking estadual de geração de novos postos de trabalho. E não para por aí, é apontada como a melhor cidade para trabalhar (divulgação feita pela FGV, em 2008), é considerada a mais dinâmica do Estado do Rio de Janeiro e a segunda do país  (segundo a nona edição do Atlas do Mercado Brasileiro), apresenta o maior desenvolvimento municipal do Estado do Rio (Firjan 2008) e está entre as cem melhores cidades da América Latina (recebeu certificado concedido pela Associação Nacional de Municípios Produtores (Anamup), também em 2008. 

Tantas coisas positivas, mas que tem o seu lado negativo. Onde foi parar as belezas naturais da pacata cidade que até antes de 1997 era conhecida pelas belezas dos rios, da Lagoa de Imboassica e que tinha como principal fonte de economia a pesca? Onde está o meio ambiente a quem o homem depende para sobreviver? 

O doutor em Ecologia de Águas pelo Max-Plack-Institut fur Limnogie (Alemanha), professor da UFRJ e diretor do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (NUPEM), Francisco Esteves, esclarece algumas dúvidas.  "O fato é que com toda a indústria do petróleo responsável por impulsionar essa economia, é preciso atentar-se para a realidade de que mais importante que gerar lucro é a preservação do meio ambiente. Hoje, Macaé recebe muitos recursos, mas convive com as degradações, assoreamentos e muitos outros danos ao ambiente", enfatiza o cientista.

E não é só isso. Esteves destaca a importância do comprometimento tanto da sociedade quanto do poder público para a preservação e recuperação dos ecossistemas ainda existentes. "O município é  rico de recursos financeiros, mas  está se tornando cada vez mais pobre quando o assunto envolve belezas naturais. "Prova disso são as praias que pouco a pouco perdem seu espaço, se tornam impróprias para banho, as lagoas como a de Imboassica - a mais bonita - há alguns anos clama por uma atenção especial e tornou-se um verdadeiro depósito de esgoto", salienta. 

Onde está a área de mata atlântica? 

há muitos anos a cidade era composta por vegetação original de mata atlântica (incluindo a mata propriamente dita, a restinga e o mangue). No entanto, pouco a pouco essa área de verdes foi sendo destruída pelo crescimento da cidade, pela pecuária e para extração de carvão e madeira. E o que resta hoje é apenas uma pequena porcentagem da mata original que está parcialmente inserido em Unidades de Conservação como o Parna Jurubatiba, APA do Sana e o Parque Atalaia.  

E os trechos de vegetação que ainda existem estão inseridos em unidades de conservação, a exemplo do Pico do Frade e da Bicuda. Com o aterro dos brejos e das áreas de alagamentos estão sendo construídas as grandes enchentes do futuro. "Do que adianta a obra de macro drenagem de um lado se aterros são feitos do outro lado?", questiona Esteves. 

Em recente entrevista à equipe de reportagem do Jornal, o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Marcos César destacou que os ecossistemas associados à mata na cidade foram parcialmente transformados, pela ocupação imobiliária que resultou em algumas comunidades com danos ao meio ambiente. 

"Entre esses danos estão a redução da área de berçário das espécies marinhas (peixes e camarões) o que prejudica a pesca e ainda representa uma ameaça à população do entorno, devido  aos riscos constantes de inundação no período de tempestades", disse. 
                                                   Wanderley Gil 

Os  aterros de hoje representam as enchentes do futuro  


Onde está a qualidade de vida?

Ainda de acordo com Francisco Esteves, o crescimento do município não representa qualidade de vida para a população. "É impossível existir qualidade de vida sem ambiente preservado. Os recursos hídricos da cidade como rios, lagos, mangues estão cada vez mais degradados e isso afeta diretamente a qualidade da saúde da população e prova disso é que cerca de 500 pessoas morrem no Brasil por dia com diarreia e em Macaé a população que vive às margens do rio são as que estão mais expostos às doenças", ressalta. 

E tem mais. Ele destaca que  o Rio Macaé, por exemplo, está sendo assoreado (entupido), desmatado e levado à erosão. As nascentes estão secando e o que tudo indica é que tão logo a água vai acabar, antes do petróleo. 

                                                   Wanderley Gil 

Destruição das matas estão comprometendo a sua saúde

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br


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